sábado, 22 de junho de 2013

A temida tribo Kalenjin



Kalenjin - O nome pode não ter sonoridade parecida no português, mas é temido no atletismo. Temido até mesmo dentro do país que lhe dá origem: o Quênia. O grupo étnico africano de nome curioso é base de estudos para muitos pesquisadores devido a sua potência atlética. Nenhuma outra comunidade formou tantos fundistas e corredores de longa distância nos últimos 50 anos.
O Quênia, da forma que existe hoje, é um país recente: só existe desde 1955. Sua primeira medalha olímpica veio menos de 10 anos depois: um bronze nos 800m com Wilson Kiprugut, um Kalenjin nascido no condado de Kericho.
Aparentemente, o lugar onde o atleta nasce no Quênia pode pré-determinar o seu sucesso no esporte.  Dividido em sete províncias, o país teve boa porte de seus heróis nascidos no Rift Valley, que abriga, entre muitas tribos, os Kalenjin. Os quenianos já conquistaram 86 medalhas olímpicas, sendo 79 só no atletismo. São 25 medalhas de ouro: 23 conquistadas em provas individuais de longa distância, uma no revezamento masculino 4 x 400 e outra no boxe. Atenção para o número impressionante: 21 ouros olímpicos vieram de fundistas nascidos no Rift Valley.
Cinco vezes campeão da São Silvestre e dono do recorde da prova desde 1995, Paul Tergat é mais conhecido dos brasileiros. Nascido no distrito de Baringo, no Rift Valley, Tergat é de uma comunidade chamada Turgen, um dos braços dos Kalenjin. O atleta ainda possui duas pratas olímpicas nos 10.000m, conseguidas em Atlanta (1996) e Sidney (2000).
Mas o que explica tanta resistência a longas distâncias? A primeira coisa que se vem à mente é um beneficiamento genético, mas o grande número de treinos e fato deles serem feitos na altitude (mais ou menos 2000 m acima do mar) também pode ajudar.
As fibras musculares dos corredores quenianos também podem ser consideradas um benefício. Estudos comprovaram que a prevalência de fibras musculares tipo I, que utilizam o oxigênio para formação de energia aeróbia, é normal nos corredores de longa distância, e 70% da constituição muscular dos atletas quenianos são desse tipo de fibra.


Fonte: Iaff
fotos: Fernando Dantas, arquivo Gazeta Press