quarta-feira, 24 de julho de 2013

A história de Kathrine Switzer

Toda corredora que disputa uma maratona hoje deve uma pequena parte da
sua liberdade à Kathrine Switzer, primeira mulher a participar da Maratona de Boston (EUA), em 1967. Na época, apenas os homens podiam integrar quaisquer provas de rua no país, antes mesmo das mulheres se rebelarem contra os padrões vigentes, pedindo maior igualdade entre os seres humanos, na famosa praça de Atlantic City, em 1968. A americana viveu momentos de tensão e vitória naquele gelado dia, e não fazia ideia de que se tornaria parte da história


Nascida em 5 de janeiro de 1947, nos Estados Unidos, Kathrine resolveu, aos 12 anos, virar uma líder de torcida. Desaprovada pelo pai, que estimulava os filhos a pensarem além dos papéis tradicionais da sociedade, foi incentivada a praticar esportes.
Ela jogava na equipe do colégio Linchburg, na Virgínia, e corria diariamente, quando o técnico do time de cross country a convidou para integrar uma prova masculina, que precisava de mais um integrante. Sem saber, Kathrine já estava destinada a ser pioneira no esporte feminino. Em 1966, resolveu se tornar jornalista esportiva, impossibilitada de viver como uma atleta.
- Com o passar do tempo, correr se tornou a arma secreta do meu primeiro amor. Era algo que eu podia fazer por mim, não custava nada, não necessitava muito equipamento e eu amava treinar ao ar livre. Eu sabia que a corrida seria meu esporte de toda a vida. E ainda era boa no que fazia – revelou a atleta.
No dia da prova, nevava, ventava e fazia muito frio. Os corredores demonstravam apoio e felicidade ao vê-la participar. Para surpresa de Kathrine, a exceção foi um dos diretores da maratona, Jock Semple.
Quando me viram, os fotógrafos começaram a gritar “tem uma garota na corrida!” Eu não estava tentando me esconder de maneira nenhuma, pelo contrário, eu estava tão orgulhosa de mim mesma que usava até batom. Jock era conhecido por seu temperamento violento. Em um determinado momento, ele se enfureceu e veio correndo atrás de mim, gritando “saia da minha prova e me dê esse número de peito!” Eu morri de medo. Para minha sorte, meu namorado Tom Miller, de 115 kg, conseguiu empurrá-lo, enquanto Arnie gritava “corra que nem uma louca!”. O resto é história. Minha presença infame não foi oficialmente registrada pela organização. Terminei em torno de 4h20m – descreveu a corredora.
Somente em 1972 as mulheres puderam fazer parte da maratona e,
finalmente, se denominar atletas. Com razão, Kathrine é muito orgulhosa do próprio feito.

Em sua carreira, Kathrine correu 35 maratonas, criou programas esportivos para mulheres em 27 países, viaja o mundo promovendo corridas e caminhadas femininas, escreveu o livro “Mulher de Maratona” e integra, desde 2011, o seleto grupo pertencente à calçada da fama das mulheres dos Estados Unidos.