terça-feira, 9 de julho de 2013

Corrida radical em Santa Cruz de la Sierra 10K


Corrida radical em Santa Cruz de la Sierra 10K
por Bruno Jurfest - 15 corridas - 1 internacional

Acostumado a participar de provas pedestres em São Paulo, fiquei contente ao saber que minha estadia em Santa Cruz de la Sierra coincidiria com a realização de uma corrida de 10 quilômetros na cidade boliviana e resolvi me inscrever na competição, disputada em outubro de 2012.
A evolução estrutural das corridas de rua paulistanas nos últimos anos é notória. Além dos pontos de distribuição de água, fundamentais, há inúmeros outros recursos oferecidos aos competidores, como bandas de música ao longo do percurso, camisetas de última geração e outros mimos, a maioria dispensáveis.
Diferentemente das provas de São Paulo, a corrida em Santa Cruz de la Sierra não
cobrava qualquer taxa de inscrição. Eu não esperava encontrar uma prova do mesmo nível das paulistanas. Por outro lado, também não esperava participar de uma corrida radical.
Ao longo dos 10 quilômetros da prova, disputada com mais de 30º C, não havia nem sequer um ponto de distribuição de água. Consegui me hidratar pela primeira vez apenas no quinto quilômetro, graças a uma torneira localizada no estacionamento de uma concessionária no trajeto da corrida, em torno da qual formou-se uma longa fila.
Não fossem os moradores das casas localizadas ao longo do percurso, ninguém teria conseguido completar a corrida. Com mangueiras, baldes, copos e garrafas pet, os simpáticoscruceños ofereciam água aos corredores. A atividade servia como diversão para as crianças e passatempo para os adultos.
As ruas ao longo do percurso foram interditadas pelas autoridades locais apenas durante a passagem dos primeiros colocados. Desta forma, o grupo dos mais lerdos, entre eles eu, precisou desviar de carros, motos e caminhões para completar a prova - alguns competidores discutiram com motoristas.
Apesar da irritação pela falta de água e pelo trânsito no trajeto, pude admirar
alguns aspectos pitorescos da corrida, principalmente seu caráter democrático, digamos assim. Sem taxa de inscrição e isolamento de percurso, qualquer pessoa podia se incorporar à disputa.
Vi gente de diferentes etnias e classes sociais, com e sem números de peito. Da adolescente que frequenta a academia regularmente, com o tênis de última geração da mesma cor dos adereços nos cabelos, aos garotos humildes, com traços indígenas. Havia competidores de jeans, mochila e com os mais diferentes tipos de calçados.
A chegada foi realizada na pista de atletismo do Estádio Ramon 'Tahuichi' Aguilera, o mesmo que recebeu a Seleção Brasileira no começo de abril. O pórtico armado no tradicional campo de futebol conferiu um tom apoteótico ao final da prova, mas a principal alegria foi, finalmente, encontrar água à vontade.