terça-feira, 27 de agosto de 2013

Relato da experiência de correr a primeira Meia Maratona

Relato da experiência de correr a primeira Meia Maratona

por Elbiana Cardoso Soares



Dia 25 de janeiro de 2013, eu e minha amiga Maria Augusta, ao voltarmos de nossa primeira prova do ano, decidimos (o convite, na verdade, partiu dela) correr a Meia Maratona Internacional do Rio de Janeiro. Na mesma hora, me empolguei. Nunca imaginei correr uma meia maratona, mas aquele convite me incentivou de alguma forma.

Comentei com o meu técnico sobre a possibilidade de correr a meia. O retorno foi imediato, pois ele me disse que eu poderia correr, sim, se me dedicasse nos treinos.

Então, comecei a treinar e percebi a responsabilidade de conquistar esta meta, já até aquele momento não treinava nem para correr 5 ou 10 km e, agora, teria de treinar para 21 km.

A dedicação e disciplina são fatores importantes para quem decide correr uma prova assim. Não tem tempo ruim, não tem desculpas, você precisa treinar, seu corpo precisa entender que você precisa de mais resistência.

Os meses foram passando e a preocupação, aumentando. Me inscrevi para uma corrida de 16k do Circuito Athenas para analisar como meu corpo reagiria, e vibrei com o resultado. Terminei a prova bem, o que me deixou mais animada, e agora faltava praticamente um mês para minha estreia.

Um mês passou muito rápido, dia 16 de agosto estava chegando. Na companhia da minha mãe, saí de São Paulo com a temperatura de 8ºC e cheguei no Rio com 22ºC, a temperatura era algo que me preocupava muito, meu maior inimigo seria o calor do Rio.

O domingo da corrida finalmente chegou, agora não tinha mais treinos e nem técnico, era somente eu. A largada seria às 9h na Praia do Pepê, em São Conrado. Acordei às 5h30, juntamente com a minha companheira de viagem. Decidi chegar bem cedo na corrida para não ficar tão longe do início da largada, e meu plano deu certo. Eram 7h30 quando cheguei, e fiquei tão perto que me sentia elite do pelotão geral. Cheguei muito tranquila e logo fui ficar no meu lugar e conversar com outros atletas.

É horrível ficar esperando, vendo mais atletas chegando e o espaço ficando cada vez mais apertado, afinal, eram 22 mil pessoas inscritas. Alguns falavam do percurso, do tempo que fizeram no ano anterior, tudo isso me assustava. Imagine uma pessoa de 30 anos (a maioria das pessoas ali eram mais velhas), 1,60 m de altura, no seu primeiro 21 km, sem conhecer ninguém ali e ansiosa demais... 

Passaram-se somente alguns minutos e logo eu estava conversando com as pessoas e contando que era a minha estreia. De repente, as pessoas começaram a me animar, me incentivar, dizer como é correr os 21 km, suas experiências. Enquanto isso, nada do sol do Rio de Janeiro, o tempo estava nublado.

Faltando pouco mais de uma hora para a largada, começou uma chuva com vento muito forte a minha reação foi abaixar no meio dos corredores. Assim que abaixei, um atleta que estava de capa de chuva parou do meu lado e me cobriu com a capa e pediu que eu ficasse ali. Quando ele fez isso, os outros atletas chegaram mais perto de mim fazendo uma barreira e, ali mesmo abaixada, fiquei conversando com eles e vendo meu tênis e dos outros atletas encharcarem de tanta chuva.

A chuva passou, mas o vento continuava, e nós só conseguíamos pular para nos aquecer porque todos estavam molhados e com frio, e nos preparando para a largada. Finalmente, a largada foi dada e decidi correr sem ouvir música, pois queria curtir cada momento da corrida, sentindo a energia das pessoas, ouvindo a minha respiração, meu coração bater mais forte, observar as lindas paisagens do Rio. 

As pessoas aplaudiam, nos incentivavam a continuar correndo, alguns nos esperavam com água, famílias de atletas que ficavam no percurso filmando, torcendo, e sem dizer as crianças que ficavam maravilhadas com tantas pessoas correndo, algumas estendiam a mão para que pudéssemos tocar. Também me encantei com a solidariedade dos atletas em compartilhar água e incentivar a todos para não parar e continuar correndo.

Meus primeiros 5km passaram rápidos, logo pensei que os 10km chegariam rapidinho também. Doce ilusão, pois não chegavam nunca. Quando finalmente cheguei nos 10km, logo pensei que praticamente metade do caminho havia sido completado. Não sei como a primeira meia é para alguns mas, quando passei dos 10km, falei comigo mesmo: se cheguei aqui, consigo chegar até o final.

Depois do km 10, tudo mudou, os quilômetros pareciam ficar mais longe, meu corpo pedia mais água, me sentia um pouco mais lenta e a cabeça só pensava no próximo km.

No 12km, algo que não esperava aconteceu, senti uma dor forte no meu pé esquerdo, não sei o que houve, pois em nenhum momento torci o pé. Não senti nada nos treinos, e a dor era tão forte que tinha de tomar uma decisão, parar ou continuar. A decisão foi continuar, pois pensei nos treinos e na minha mãe que estava me esperando na chegada.

Continuei até não senti mais a dor no pé, o que me deu mais confiança para acelerar mais o ritmo.
No 18 km foi a parte mais crucial, fisicamente estava muito bem, porém a minha cabeça começou a querer atrapalhar a corrida. Percebi que ainda tinha de dar uma volta, pois o km 20 estava do outro lado. Como aquilo me desanimou... Quando percebi, estava mais lenta, quase parando, pensava que não ia conseguir chegar correndo, que estava muito longe... Vi pessoas andando, cansadas, esse quadro quase me contagiou. Foi então que comecei a dizer pra mim mesma que conseguiria, afinal, treinei por quatro meses, existiam pessoas que acreditavam em mim, e eu sabia que conseguiria. 

Essa batalha durou até o próximo quilometro e nos 19 km foi muito importante a força dos outros atletas, um incentivando o outro, apoiando, até eu incentivei um atleta que estava quase parando e faltava tão pouco.

No 20km, eu acelerei tanto que nem acreditei de onde vinha tanta força, tanta garra para finalizar o percurso, quanto mais perto, mais acelerava e mal acreditei no tempo que aparecia na chegada (Aterro do Flamengo). Vibrei duas vezes, por  finalizar a corrida e depois pelo tempo de 02h04. Para quem esperava  finalizar em 02h15, foi uma emoção muito grande, chorei de alegria e, para minha surpresa, assim que parei de correr, a dor do pé voltou, mas não me atrapalhou em nada, pois a minha alegria era muito maior.

Eu definiria a corrida como espetacular, foi uma estreia maravilhosa e jamais vou me esquecer da minha primeira Meia Maratona. As paisagens lindas, a solidariedade dos atletas... Agora já estou estudando o meu próximo desafio!


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