segunda-feira, 16 de setembro de 2013

AS AVENTURAS DE UM CORREDOR URBANO - Um par de tênis por uma pedra de crack

Um par de tênis por uma pedra de crack

Para inaugurar a nova coluna do blog, "As aventuras de um corredor urbano", vamos relatar um caso inusitado que aconteceu com Alessandro Ribeiro. Boa leitura:

"A maioria dos meus treinos de corrida faço na volta do trabalho que fica no prédio da Fundação Cásper Líbero, da avenida Paulista, até o bairro de Santana, onde moro. É um percurso razoavelmente bom, mas dificilmente consigo desenvolver uma boa velocidade, devido à grande quantidade de semáforos e o trânsito em si.

Numa tarde fria, os relógios da avenida Paulista marcavam 21 graus, faço um rápido alongamento e sigo o caminho para mais um dia de treino. Depois de desviar de skates, bicicletas, artistas de rua e tudo que as ruas e avenidas têm, chego à avenida Voluntários da Pátria com a Rua Santa Eulália, mais precisamente perto do Pronto Socorro de Santana. 



Enquanto aguardava o farol de pedestres abrir, atrás de mim, dois rapazes entre 15 e 16 anos comentam entre si baixinho: 'belo tênis, acho que rola trocar na boca por pedra' (gíria usada por usuários de crack). A sorte é que não costumo correr escutando músicas, então fico com o ouvido mais apurado para me safar das armadilhas da cidade grande. 

E, como se diz na Lei de Murphy, o farol de pedestres parecia que estava no pause. Não abria, e comecei a ficar nervoso, quando ouço um deles dizer: 'quando o farol abrir, nóis cata e sai a milhão'. Discretamente, dei uma olhada para os dois e vi que não estavam armados. Quando o farol abriu, larguei como Usain Bolt faria para bater mais um recorde olímpico. Saí pelo meio da avenida Voluntários da Pátria e os caras atrás de mim. 

A adrenalina já estava a mil e não entregaria os meus tênis tão fácil, quando os dois em perfeita sintonia gritam bem alto: 'nós só quer o tênis!'. Graças a Deus eu estou com uma condição física muito boa e os malucos não conseguiram me alcançar e desistiram. Ufa, essa foi por pouco! Depois me arrependi, corri o risco de ter perdido a vida por um par de tênis.

Não contei nada lá em casa mas, agora, a minha família vai saber"!

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