quinta-feira, 26 de setembro de 2013

OS ULTRAS - Os monges do mount Hiei

Os monges ultramaratonistas do Mount Hiei

No monastério budista de Mount Hiei, no Japão, um grupo de monges se submete a um treinamento espiritual que desafia seus limites físicos e mentais. Seguindo um regime iniciado há mais de mil anos, eles praticam o "sennichi kaihogyo", a maratona dos mil dias. Em um período de sete anos, eles deverão correr ultramaratonas de 30 a 90 km mil vezes e cobrir uma distância equivalente a uma volta na linha do Equador.
Estes monges começaram a sua história por volta de 831 d.c. com um menino chamado So-o que veio para Hiei aos 15 anos de idade e iniciou no templo de Tendai.
So-o era um monge incrível capaz de realizar muitas coisas, como acreditavam
os moradores do vilarejo local, que atribuíam e ele inclusive o poder de curar várias doenças. Os monges veneravam todos os elementos da natureza como uma manifestação de Buda, significando a adoração plena da natureza de mente e corpo.
Quando o jovem voltava para o templo de Hiei, recebeu um chamado do deus Gyõja (atleta espiritual) de que teria que percorrer em até mil dias todas as estações budistas do país correndo e refletindo sobre os elementos da religião, para atingir a elevação espiritual com um único objetivo: tornar-se o Buda vivo, mérito que o jovem So-o conquistou.
E esta prática é cultuada até hoje, para percorrer o mesmo caminho. Após a permissão, o candidato frequenta um curso que inclui mapas e as estações que devem visitar e rezar, aprendem sobre as orações e cantos, e outras informações importantes. O candidato tem então uma semana de treinamento físico para suportar esta provação.

Os corredores recebem 80 pares de sandálias de palha para correr no mínimo 40 quilômetros por dia. Há muitas estações que eles devem parar por muitas vezes. Eles são capazes de sentar-se apenas uma vez durante todo o percurso. Após completar os 700 dias, os corredores enfrentam o feito mais difícil. Devem sobreviver nove dias sem comida, água, dormir ou descansar. Este período é chamado de Doirí, depois disso, completam os mil dias. 

Desde 1885, pouco mais de 50 monges completaram esta ultramaratona.