quinta-feira, 31 de outubro de 2013

EU CORRO PORQUE - Alessandro Lucchetti

Há alguns anos tive o prazer de trabalhar no extinto jornal Diário Popular com o Alessandro Lucchetti, repórter de esportes e parceiro de muitas pautas. Uma curiosidade é que, mesmo a serviço do jornal, ele sempre se locomovia a pé, seja para ir e voltar da redação, ou para se dirigir ao local da pauta. Eu o convidei para contar a sua história para o Seguidores de Fidipides, o que prontamente e com felicidade aceitou em participar. Leia a seguir.  

Durante vários anos da infância e da adolescência, fui goleiro de futsal e de futebol de campo num clubinho ligado à Opus Dei chamado Nautilus, no Brooklin. Depois treinei um pouco de basquete no hoje Clube Escola Joerg Brüder, em Santo Amaro, além de vôlei. Comecei a correr quando estava no Exército, por obrigação. Eu servi o Exército muito a contragosto, e sequer segui a orientação de comprar um tênis melhor, que deveria obrigatoriamente ser preto. Usava os tênis que faziam parte do enxoval que recebemos no início do ano - uma espécie de Ki-Chute sem travas ou uma Conga Preta. Saíamos do quartel do CPOR, na Rua Alfredo Pujol, e frequentemente íamos até o Campo de Marte. A volta, bastante cansativa, era por uma ladeira chamada Chemin del Prá, a terrível Chemin del Prá. Quando passei um pouco dos 30 anos de idade, preocupado com os quilos extras, comecei a andar pela cidade, atividade que me agradava muito. Passei a retornar das pautas até a redação do jornal em que trabalhava, no centro, a pé. Cheguei a voltar do clube Pinheiros, na avenida Faria Lima, até a Rua Major Quedinho (na esquina com a Rua Xavier de Toledo) na caminhada.

Alessandro Lucchetti - 42 anos - jornalista - dezenas de corridas

por que começou a correrpor obrigação, quando servi o exército, mas depois comecei a gostar


relate algo curioso - eu achava que poderia queimar umas 500 mil calorias com uma corrida de 5km. Adorava terminar meus treinos numa padaria, onde comia um sonho. Depois não entendia porque não emagrecia como gostaria


onde costuma treinarno Parque da Água Branca, nos dias de semana; no Elevado Costa e Silva, aos domingos e feriados

o dia de heróio dia em que cismei de correr a Meia Maratona de São Paulo, mesmo estando fortemente gripado. Quase iniciei a segunda subida do Elevado (Minhocão), mas decidi parar, porque estava sem energia nenhuma 

corrida dos sonhosgostaria muito de correr uma Maratona em Paris, como fez o amigo Fernando Dantas

antes da largadaverifico se o cadarço está bem amarrado, urino em algum nojento banheiro químico e vamo que vamo

na chegadafaço o sinal do demônio, em homenagem ao Heavy Metal e a Ronnie James Dio, que seria o inventor do gesto

pior corridauma das edições daquela corrida 10K do Aniversário de São Paulo. Não lembro o ano, não pude completar porque senti muitas dores no joelho

quem admira no esporteo Doutor Sócrates, que tive a felicidade de ver nos estádios, quando era garoto, por tudo o que representa, pela postura política, por ser um raro exemplo de atleta capaz de pensar com originalidade. No mundo das corridas, gosto muito do José João da Silva, figura que me remete a tempos de glória da São Silvestre. Ele era entregador de um restaurante e conheceu a São Silvestre quando ela ''atravessou'' a frente dele, enquanto fazia seu trabalho. A comida chegou fria ao destino, mas Zé João se apaixonou pela prova, que depois viria a vencer por duas vezes


correr éa melhor forma que conheço de produzir endorfina. Já me ajudou a melhorar em 180 graus o meu humor por várias e várias vezes

Leia mais histórias
Alessandro Ribeiro                      

Série Relatos.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

FRASE DE CORREDOR

"Não importa quão lento, aqui todos foram parte de um grupo de elite".

frase estampada na primeira camisa finisher da Maratona de Nova York de 1981. 

RECEITA DO HOLTZ - Espaguete ao Vôngole

Ingredientes:

400g de espaguete                                    


1 kg de vôngole

1 maço pequeno de salsa

1 dente de alho

Pimenta malagueta a gosto

Azeite extra virgem

Sal

Modo de Preparo

Coloque os vôngoles de molho em água salgada por 2 ou 3 horas para que elimine as 

impurezas do interior, escorra-os e lave em água corrente.

Coloque-os para cozinhar em fogo alto com azeite, o alho amassado e a salsa picada em uma 

panela com tampa, mexendo de tempo em tempo até que as conchas estejam todas aberta. 

Apague o fogo e retire os moluscos das conchas, reservando.

Cozinhe o espaguete al dente em bastante água com sal. Devolva os vôngoles para a panela 

juntamente com o caldo do seu cozimento coado. Escorra a massa e despeje na panela com os 

vôngoles, mexendo bem por 2 min. para pegar sabor.





Rodrigo Holtz

Chef e Corredor







Mais receitas

talharini com ervilha

penne com Shimeji fresco

COGUMELOS RECHEADOS

terça-feira, 29 de outubro de 2013

EU CORRO PORQUE - Wilson de Lima

Desde 1999, comemora-se no dia 19 de novembro o dia Internacional do Homem. Aproveitando o gancho do Outubro Rosa, mês dedicado ao diagnóstico precoce do câncer de mama, criou-se o Novembro Azul. Para incentivar a prevenção do câncer de próstata.

A ideia do Novembro Azul é desmistificar a doença, que, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), acomete um a cada seis homens no Brasil. As estimativas mostram que 69 mil novos casos deverão ser diagnosticados somente em 2014 no país, um a cada 7,6 minutos. E o pior é que cerca de 13 mil brasileiros vão morrer em decorrência da doença, o que significa um óbito a cada 40 minutos.

Então corre para o médico e participe da campanha, mas antes disso, leia a história do corredor Wilson de Lima, sobre o câncer de próstata.

Vida de corredor é uma tarefa de muita dedicação à família, ao trabalho e ao esporte. Conciliar tudo isso é literalmente uma maratona. Quando Wilson de Lima estava preparado, seguindo à risca a planilha de treinos para estrear na Maratona de São Paulo deste ano, poucas semanas antes da prova, ele pisou de mal jeito ao descer do ônibus e torceu a perna, ocasionando uma lesão no menisco. Por causa do acidente, terá de passar por uma cirurgia nos próximos dias e, se tudo correr bem, correrá a São Silvestre (a cirurgia correu como o esperado, e além de concluir a São Silvestre, correu a Maratona de São Paulo de 2014). Mas, para o sorridente Wilson, o incidente não é nada, porque sua história é muito mais complexa do que este fato. Para entender por que, vamos voltar quatro atrás.

No começo de 2009, aos 46 anos, Wilson estava à procura de um esporte que pudesse praticar sozinho e a qualquer hora para ter uma qualidade de vida melhor. Antes disso, apenas batia uma bolinha com os amigos.

No mesmo ano começou a correr meio que por acaso e achou o que procurava. Entre trotes e mais trotes, inscreveu-se em uma corrida de rua para sentir como seria correr uma prova e se os seus treinos estavam fazendo algum efeito. Ficou maravilhado com a energia dos demais participantes. A alegria e a motivação dos outros atletas o fizeram terminar a prova como um campeão.


Sua mulher o aguardava na chegada e percebeu que viriam muito mais corridas pela frente. Ela então, o aconselhou a fazer alguns exames para ver se estava apto para a prática. Foi quando recebeu a pior notícia de sua vida: estava com câncer de próstata, "o muro bateu" (expressão usada por maratonistas quando quebram em uma corrida). 

Após a cirurgia para retirar o tumor, começou um longo tratamento com radioterapia. A desmotivação a falta de perspectiva o fizeram descontar tudo na comida, engordou, perdeu sua condição física. Até então, pensava somente em vencer este desafio e imaginava que a vida de esportiva estava encerrada. Mas a esperança e a certeza da cura foram a sua meta.

Com o apoio da família e a alta do médico, lembrou-se de um detalhe que talvez nunca tinha passado por sua cabeça: "a corrida salvou a minha vida, se não fosse por ela, não teria feito o checkup e descobriria a doença já em um estágio mais avançado". Percebeu que ganhou uma segunda chance na vida e que não poderia desperdiçar mais nem um minuto. Retornou à corrida, agora mais forte que nunca porque venceu o seu maior adversário.

Wilson de Lima - 50 anos - torneiro mecânico - 35 medalhas

onde costuma treinar - treino na região do Ipiranga e no Museu do Ipiranga, com o Adriano Pacheco

o dia de herói - quando cruzei a linha de chegada e deixei o câncer comendo
poeira

corrida dos sonhos - depois da cirurgia no joelho, vou retomar os treinos para a Maratona de São Paulo em 2014

pior corrida - foi a Meia Maratona de São Paulo, o circuito é muito difícil e, para mim, não deu 

melhor corrida - A Meia da Corpore, corri como nunca 

aconselharia alguém a correr - se eu pudesse faria todo mundo correr, é a melhor terapia


segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Poluição, o grande inimigo do corredor

Para nós, corredores, um ar puro sempre é o melhor combustível para os nossos treinos, mas aqueles que treinam em São Paulo sabem muito bem o mal que a poluição faz, ela é tão catastrófica que há estudos que comprovam que até cidades mais distantes da capital recebem estes poluentes. Leia esta reportagem que separei para o blog, boa leitura!

Matéria publicada no Jornal Folha de S.Paulo, de autoria de Afra Balazina e José Ernesto Credendio

Poluição de SP "viaja" mais de 600 km


A imagem de satélite com leitura infravermelho mostra uma mancha escura de monóxido de carbono, poluente expelido por motores e caldeiras, que parte de São Paulo e, dependendo da direção do vento, avança cerca de 600 km - às vezes, até mais - rumo ao interior do Estado. Quando o vento muda, a mancha cruza o litoral paulista e invade o oceano.
É a prova tecnológica de que poluentes da Grande SP afetam regiões distantes, mesmo áreas rurais, o que pode explicar parte da nota ruim dada pela Cetesb ao ar de cidades do interior. Além dos poluentes que produzem, elas recebem a poluição exportada pela capital.
É um problema semelhante ao que ocorre, por exemplo, na Europa, onde um país exporta poluição para o outro.
Foto: Fernando Dantas/Seguidores de Fidipides

A imagem de satélite do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) revela que a concentração de monóxido de carbono alcança até cinco vezes o limite para o ar ser considerado totalmente puro sobre cidades como Panorama, município a 687 km de São Paulo.


Embora a concentração de monóxido esteja abaixo do limite em que poderia afetar a saúde das pessoas na maior parte da região geográfica afetada, esse elemento, em contato com luz e calor, se transforma em ozônio - hoje considerado o poluente que mais preocupa São Paulo.

Em razão da presença de ozônio acima dos limites, a Cetesb já considerou impróprio o ar de municípios como São José dos Campos e Jaú - cidade cercada por canaviais.

Em comum, a maior parte dessas cidades tem a presença de grandes canaviais no entorno, com exceção de Marília, a cerca de 450 km de SP.
"O mais grave é que se trata de uma poluição com origem industrial e urbana, mas ainda não sabemos como ela afeta essas cidades", diz o pesquisador Saulo Freitas, do Inpe.

Nem mesmo pequenas comunidades na bucólica serra da Mantiqueira, que mantém a fama de ter um dos ares mais puros do mundo, estão livres de poluentes, segundo trabalho de pesquisadores do Inpe.
Plantas usadas para bio monitoramento de poluição apresentaram alterações esperadas somente para centros urbanos em teste realizado em São Francisco Xavier, povoado turístico na Mantiqueira muito procurado por paulistanos. A planta, sensível à poluição, é usada em experimentos semelhantes em todo o mundo.

Uma das possíveis causas para essa alteração, suspeitam pesquisadores, é o transporte de poluição produzida pelos dois maiores centros urbanos do país, as regiões metropolitanas de São Paulo e do Rio.
"Sabemos que o Vale do Paraíba [que passa ao lado de São Francisco] é um canal em que circula o ar entre Rio e São Paulo, é uma conexão", diz Freitas.

domingo, 27 de outubro de 2013

Com 99 anos, atleta mais velho do Mundial de Atletismo Master começou a correr aos 95

Argentino José Lorenzo Escobar usou a corrida para superar a depressão pela morte da filha


Com 99 anos, José Lorenzo Escobar é o mais experiente entre os atletas que disputam a 20ª edição do Mundial de Atletismo Master, em Porto Alegre. Mas o argentino também é um novato: estreou nas pistas de esporte há apenas quatro anos. Isso mesmo: seu Escobar começou a correr aos 95 anos.
Matéria publicada no site: Zero Hora 
Foto: Diego Vara / Agencia RBS

A corrida surgiu como uma forma de terapia para tentar superar a depressão provocada pela morte da filha Rosa, em 2009. Viúvo havia duas décadas e pai de outros 10 filhos, o ex-pedreiro não fazia nenhuma atividade física desde que perdera a mulher. Antes, eram os gramados da província de Tucuman (distante 1,3 mil quilômetros de Buenos Aires) que ocupavam os finais de semana do torcedor do Boca Juniors.
A decisão de recomeçar com um novo esporte foi bem aceita na família, que o apoiou para a disputa do campeonato da província de Mar del Plata e compareceu em peso nas arquibancadas. Marco, o filho mais velho, corria por hobby, e a emoção de ver seu pai nas pistas foi tanta que, aos 70 anos, um ataque cardíaco fulminante impediu que assistisse à estreia de seu Escobar.
Mesmo com mais um luto, o argentino não desistiu. Em 2010, conquistou o Sul-Americano da categoria acima de 95 anos, no Chile, e é tricampeão nacional. Tudo com o apoio do governo: de família humilde, o argentino não tem condições de pagar sozinho as despesas com as competições.
Pela primeira vez no Brasil, seu Escobar chegou a Porto Alegre acompanhado dos filhos Juan, 50 anos, e Andrés, 56. Hoje, os três vão até o Parque Farroupilha, a Redenção, para o último treino antes das provas de amanhã – o argentino de quase um século de vida disputará quatro corridas. O tempo que espera fazer nos 100 metros é quatro vezes superior ao recorde mundial de 9s58, cravado pelo jamaicano Usain Bolt, no Campeonato Mundial de Atletismo, em 2009, em Berlim: 40 segundos. E não para por aí. Ele ainda disputará os 200m, 400m e 800m.
O inquieto senhor, que cultiva uma horta de cenoura e pimenta em casa, diz que adora ir ao mercado comprar carnes e verduras para fazer comida para os dois netos que moram com ele. Mas é a corrida que o deixa plenamente feliz.
– É meu combustível espiritual. Me faz muito bem correr.
Sem problemas de saúde, o argentino mantém a boa forma com uma alimentação saudável e sem cigarro: parou de fumar aos 22 anos.
– Só não abro mão – ri seu Escobar – do meu vinho tinto.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Descalço, com o calcanhar ou a parte da frente dos pés? Estudos determinam a melhor maneira de correr

Matéria publicada no The New York Times e republicada no site UOL, sobre a interminável discussão de qual maneira é melhor correr para evitar as temidas lesões.

Gina Kolata
The New York Times
Eis um tema de debate interminável entre os corredores: existe uma melhor maneira de correr, de forma que você gaste menos energia e corra mais rápido? E correr descalço ou com calçados minimalistas ajuda na corrida?
A maior parte das pesquisas científicas é simplesmente inadequada para responder a essas perguntas, diz Iain Hunter, pesquisador de biomecânica da Universidade Brigham Young. Alguns estudos têm indicado que os corredores mais rápidos de distância média – aqueles que correm entre meia milha e uma milha – aterrissam com a parte média ou dianteira do pé. Mas para esses corredores, a economia – utilizar a menor quantidade de energia – não é problema, porque a corrida é muito curta.
Quando as pessoas correm em sprintou correm muito rápido em curtas distâncias, elas naturalmente mudam a passada, aterrissando com a parte mais dianteira do pé. Mas isso não significa que esse é o melhor caminho para distâncias mais longas.
No primeiro semestre deste ano, Hunter viu uma oportunidade de obter alguns dados com corredores de elite de longa distância para determinar se existe um estilo particular que os favorece. Será que eles aterrissam no chão com o calcanhar, com a parte média ou com o antepé?
Por trabalhar com a USA Track & Field, Hunter foi capaz de realizar sua pesquisa durante os treinos olímpicos de 10.000 metros. Ele fotografou os pés dos corredores com uma câmera que registra 240 imagens por segundo. Esses eram os corredores de longa distância mais rápidos do país; se existe um segredo para o seu sucesso, ele esperava que a câmera pudesse registrar isso.
Cada um com seu estilo
Os resultados para os atletas masculinos e femininos variaram amplamente. Alguns aterrissavam com o calcanhar. Alguns aterrissavam com a parte mediana do pé. Poucos aterrissavam com o antepé. Alguns viravam os pés para dentro quando atingiam o chão, enquanto outros mantinham os pés em linha reta.
"Nada disso estava ligado ao desempenho, nem à economia de corrida", afirma Hunter. De certa forma, essa é uma boa notícia, porque os estudos têm mostrado repetidamente que, quando as pessoas tentam mudar seu estilo natural de corrida, tendem a usar mais energia para correr uma mesma distância.
Outro pesquisador de biomecânica, Rodger Kram, da Universidade do Colorado, recentemente abordou uma segunda questão que perturba os corredores. E quanto a correr descalço ou com calçados minimalistas?
A maioria dos que correm por recreação aterrissa no chão com o calcanhar – por mais que muitos deles acreditem aterrissar com a parte média do pé. Mas aterrissar com o calcanhar é muito desconfortável quando as pessoas correm descalças e, assim, elas passam a aterrissar com a parte média do pé.
Os defensores dizem que correr descalço é mais natural – os seres humanos evoluíram para correr sem calçados – e econômico. Quando você levanta um pé calçado, tem que levantar o peso desse calçado, e isso requer energia. Além desse esforço, há o amortecimento dos calçados, que absorve a energia que deveria ser usada para impulsionar o atleta para frente.
Se você deve usar um calçado, prossegue o argumento, outro aspecto positivo dos que costumam correr descalços é que eles atingem o chão com a parte central do pé, e não com o calcanhar.
Mas o argumento de que a corrida com a parte média do pé ou com o antepé é mais eficiente para corredores amadores não se manteve, disse Kram.
"Aqueles que defendem essa teoria ignoram três estudos que mostram que isso não é mais eficiente", disse ele.
Esses estudos mostraram que a aterrissagem com a parte mediana do pé ou com o antepé não é melhor nem pior do que aterrissar com o calcanhar.
E agora o estudo de Hunter descobriu que a maioria dos corredores mais rápidos de longa distância aterrissa com o calcanhar.
Isso ainda deixa dúvidas sobre a importância do peso dos calçados de um corredor e seu amortecimento. Em um estudo publicado este ano, Kram e seus alunos descobriram que os corredores que usavam calçados muito leves eram mais eficientes do que os que corriam descalços. (Os corredores descalços usaram pesos nos pés para imitar o peso dos calçados, para que isso não interferisse nos resultados.)
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Conheça dez erros cometidos por quem corre10 fotos

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NÃO ESCUTAR O CORPO - a filosofia do "no pain, no gain" ("sem dor não há ganho") não é adequada para quem quer fazer da corrida uma prática saudável. É possível evoluir sem nenhum desconforto, e um bom programa de treinamento deve primar por isso, segundo o especialista em assessoria esportiva Mário Sérgio Andrade Silva . Assim, se você sentiu uma leve dor na canela ou na lateral do joelho, não tenha receio, reduza o seu volume de treino e, caso continue, consulte um médico. Seja adepto do lema "mais vale prevenir do que remediar" Thinkstock/ Fonte: Run&Fun
Descalço ou de tênis?
Os corredores que usaram calçados economizaram entre 3 e 4% de energia para a mesma velocidade e distância quando comparados com aqueles que correram descalços com os pesos nos pés. Kram quis saber por quê – poderia ser por causa do efeito do amortecimento? O desafio foi separar o efeito do amortecimento de qualquer outro fator.
Kram descobriu uma maneira. Em seu experimento seguinte, houve apenas uma variável: a quantidade de amortecimento nos pés dos corredores. As outras abordagens do estudo ocorreram da mesma maneira, com a aterrissagem acontecendo na parte mediana do pé. Todos os participantes eram corredores experientes que correm descalços, o que foi importante, pois nenhum deles usou calçados no estudo, eliminando o problema do peso do calçado.
Os indivíduos correram em três superfícies diferentes, enquanto Kram e seus colegas mediram a quantidade de energia necessária para esse esforço: uma esteira antiga que, ao contrário das modernas, possui uma superfície rígida; a mesma esteira coberta com um amortecedor com cerca de 10 milímetros de espessura, exatamente igual ao material usado nos calçados; e, por último, a esteira foi coberta com um amortecedor de 20 mm de espessura.
O estudo mostrou que o amortecedor de 10 milímetros é mais eficaz: os indivíduos usaram em média 2% menos energia para correr uma mesma distância e na mesma velocidade com esse amortecedor, comparado à corrida sem nenhum amortecimento. Houve um gasto metabólico para correr descalço, e também houve gasto quando o amortecimento era grande.
Dez milímetros de amortecimento é a quantidade encontrada em muitos tênis leves de corrida, disse Kram.
O cientista quer testar o experimento com corredores que aterrissam com o calcanhar. Mas por hora, disse ele, a mensagem é clara. Não há melhor maneira de correr por longas distâncias. Embora muitas pessoas pensem que os calçados mais leves são melhores ou que o melhor é correr descalço, disse ele, "correr sem amortecimento não é o melhor".

Estudo traça vantagens e desvantagens de cada estilo de corrida

Não poderia deixar passar esta matéria esclarecedora sobre corrida, do The New York Times e publicada no UOL, boa leitura.

Gretchen Reynolds

Do The New York Times

Com a temporada de treinamento para maratonas atingindo seu auge, é chegado o momento de voltar a conversar sobre a melhor forma de correr. A maneira como o pé dos maratonistas deve tocar o chão é motivo de um debate acalorado entre atletas e treinadores, apesar das poucas evidências que confirmam qual é o melhor método para ser utilizado durante a corrida.
Entretanto, um novo estudo pode ajudar a acabar com as disputas, sugerindo que cada estilo de corrida tem suas vantagens e desvantagens, e que a melhor forma de correr depende quase certamente do tipo de corredor que você já é.
Para o estudo publicado em junho pela revista Medicine & Science in Sports & Exercise, pesquisadores do Centro de Pesquisa em Medicina Esportiva de Tampere, na Finlândia, utilizaram tecnologias de captura de movimento para determinar de que forma 286 jovens adultos que integravam equipes esportivas da região corriam. Nenhum deles participava de competições de corrida em longa distância e todos usaram tênis de corrida normais durante os testes.
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USAR UMA TÉCNICA INCORRETA - quando usa uma técnica inadequada, o corredor despende muita energia durante o exercício. O diretor da empresa de assessoria esportiva Run&Fun Mário Sérgio Andrade Silva recomenda que se busque orientação em revistas especializadas ou ajuda de um treinador para analisar como anda sua técnica de corrida Thinkstock/ Fonte: Run&Fun
Os exames mostraram que apenas 19 mulheres e quatro homens pisavam antes com a parte da frente do pé quando corriam.
Esses números limitados estão de acordo com relatórios anteriores que, em quase todos os casos, exibiam uma maioria esmagadora de corredores – sejam homens ou mulheres, rápidos ou lentos – que pisam antes com o calcanhar.
Em um estudo revelador publicado em maio pela revista The International Journal of Sports Physiology and Performance, quase 2.000 atletas que participaram de uma edição recente da maratona Milwaukee Lakefront Marathon foram filmados na metade do percurso e tiveram a passada analisada. Cerca de 94% das pessoas demonstraram pisar antes com os calcanhares, incluindo vários dos corredores mais rápidos.
Da mesma forma, quando pesquisadores de New Hampshire estudaram corredores do batalhão do meio durante uma maratona local, eles descobriram que quase 90% deles pisava antes com o calcanhar, de acordo com filmagens realizadas após 10 quilômetros de corrida. Curiosamente, dos % restantes, a maior parte tinha passado a pisar com o calcanhar, quando foram filmados novamente perto do fim da corrida e já estavam cansados.
Apesar disso, alguns técnicos de corrida e outros especialistas questionam o hábito de pisar antes com o calcanhar, destacando que quando os corredores não usam tênis, teoricamente a forma mais natural de corrida entre os humanos, muitos – embora não todos – adotem o estilo de corrida que usa primeiro a parte da frente do pé. Segundo entusiastas, isso sugere que pisar com a parte da frente do pé é a forma inerentemente correta para os seres humanos correrem.
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Ultramaratonistas dão dicas para quem está começando a correr42 fotos

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A corrida faz cada vez mais sucesso como alternativa barata e simples para manter a forma. Mas correr sem um bom acompanhamento médico e de um profissional de educação física pode ser arriscado, causando lesões. Os ultramaratonistas Carlos Dias - de branco - e Luiz Guilherme Lorenzetto dão algumas dicas para correr com prazer e segurança Leia mais Fernando Donasci/UOL
Entretanto, se esse for o caso, pisar com a parte da frente do pé deveria diminuir as chances de lesões causadas por corridas e essa era a possibilidade que os pesquisadores finlandeses desejavam explorar.
Por isso, eles uniram as 19 corredoras que pisam antes com a parte da frente do pé com um número igual de mulheres que pisam antes com o calcanhar, com idades, altura, peso, e ritmo de corrida similares. (Havia poucos homens que pisavam antes com a parte da frente do pé para incluí-los).
As mulheres receberam sensores de captura de movimento e foram novamente filmadas enquanto corriam. Elas também foram submetidas a testes de força nas pernas e nos quadris.
Ao unir os dados resultantes a fórmulas validadas em outros experimentos, os pesquisadores determinaram quanta força as mulheres criavam a cada passada e – o que é mais interessante – onde essa força era mais intensa.
Em geral, os joelhos, calcanhares e tendões de Aquiles são os locais onde ocorre a maior parte das lesões ligadas a corridas, de acordo com descobertas de estudos anteriores. Durante o experimento, muitas mulheres torciam o joelho, especialmente quando pisavam primeiro com o calcanhar. Essa forma de correr resultou em cerca de 16% mais força passando pelas juntas dos joelhos, se comparada com os resultados das mulheres que pisavam primeiro com a parte da frente do pé. As forças elevadas eram especialmente evidentes nas patelas de quem pisa antes com o calcanhar e com a porção média ou interior dos joelhos, em que as juntas são especialmente vulneráveis ao impacto excessivo.
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Cardiologista faz recomendações para quem vai disputar a São Silvestre9 fotos

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A São Silvestre, corrida de rua mais famosa do Brasil, acontecerá tradicionalmente no último dia do ano (31). Mas, antes de participar do evento, é importante alguns cuidados básicos para completar o percurso. Segundo o cardiologista e responsável pelo Sport Check-up do HCor, Nabil Ghorayeb, a recomendação para a prova é de pelo menos 120 a 180 dias de preparação, já que são 15 km com subidas e descidas importantes, mesmo para quem tem alguma experiência Thinkstock/ Fonte: Run&Fun
Todavia, as pernas das corredoras que pisam primeiro com a parte dianteira do pé não eram imunes à força. Elas simplesmente a absorviam de forma diferente, com quase 20% mais força passando por calcanhares e tendões de Aquiles, se comparadas às mulheres que pisam primeiro com o calcanhar.
Em essência, esses resultados mostram que não é possível fugir do impacto cumulativo das corridas, não importa como pise, afirmou Juha-Pekka Kulmala, doutorando atualmente na Universidade de Jyvaskyl e líder do estudo.
Pise com o calcanhar e você irá forçar os joelhos, levando possivelmente a condições como a síndrome da dor patelofemoral. Pise com a parte da frente do pé e irá forçar o calcanhar e o tendão de Aquiles, aumentando a possibilidade de lesões como tendinopatia de Aquiles, facite plantar e fraturas de estresse do pé.
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Saiba quais alongamentos fazer antes e depois da corrida18 fotos

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ANTES DA CORRIDA: Para alongar os ombros, braços e tórax, entrelace os dedos atrás das costas e vire lentamente os cotovelos para dentro enquanto estica os braços. Mantenha essa posição de 5 a 10 segundos Leandro Moraes/UOL. Agradecimento: Academia Bodytech
Em outras palavras, não existe uma forma indolor e invariavelmente correta de correr.
Contudo, os resultados também indicam que alterar estrategicamente a passada pode ser aconselhável para alguns corredores.
"Pessoas que sofrem de problemas no joelho podem se beneficiar da passada com impacto frontal", afirmou Kulmala. "Por outro lado, pessoas que se queixam de dores no tendão de Aquiles podem se beneficiar da passada com impacto posterior".
Entretanto, mudar a passada não é uma tarefa fácil, conforme podem confirmar os incontáveis corredores que tentam fazê-lo.
"Acredito que corredores experientes são capazes de modificar o padrão da passada com relativa facilidade", afirmou Kulmala. "No entanto, atletas inexperientes terão mais dificuldade".
Entre em contato com um treinador de sua região para se aconselhar e peça para um amigo ou cônjuge filmá-lo enquanto corre, para que possa documentar como seu pé entra em contato com o chão. Kulmala alerta para que todas as mudanças sejam feitas com calma.
Além disso, se você tem poucas experiências com lesões e se sente confortável com seu tipo de passada, nem pense em mudá-la. Segundo Kulmala, a melhor forma de correr é aquela que permite que você se mova de forma regular.