terça-feira, 8 de outubro de 2013

AS AVENTURAS DE UM CORREDOR URBANO - águas de dezembro


Por Evandro Nascimento
Por ser fã de quadrinhos, sempre me imaginei um super herói, mas, na verdade, eu não passo de um mammone, que é como meu pai descendente de italianos me chama. Mammone é aquele solteirão que, mesmo depois dos 30 anos, ainda mora com os pais e nem tem pretensão de largar este vidão, ainda mais que trabalho com programação no meu quarto- escritório. Meu apelido desde criança sempre foi "Vareta", porque sou daqueles magros que dá até para ver a ossada se estiver no contra-luz.
Bom vamos para a vida de atleta. Comecei a correr com uns 25 anos e hoje, com 32 anos, posso dizer que a corrida me fez um bem danado, sempre escutava que o cigarro faz mal, mas não estava nem aí. Até que um dia, tive uma mensagem que classifico como divina. Fumava desde os 15 anos, escondido, para fazer média com a mulherada, e o vício tomou conta de mim. Certo dia, comecei a tossir tanto que expelí uma gosma preta e fiquei desesperado, corri para o médico e o resultado foi enfático, ou você para de fumar ou morre. O médico me disse assim, na lata, fiquei sem palavras e já imaginei a minha família se desmanchar depois da minha morte, já que sou filho único e extremamente mimado.
Decidi, então, depois de realizar alguns exames, a praticar algum esporte para recuperar o mais rápido possível a minha saúde, para vocês verem que magreza não é sinal de saudável. Tentei ir para o ciclismo, comprei uma bike, 15 dias depois me roubaram a mão armada. Parti para a natação, mas quando conseguia um tempinho, a academia já estava fechada ou era fim de semana. 
No meu aniversário de 25 anos ganhei um tênis de corrida da minha namorada, me senti como Forest Grump pelas ruas e estradas de Tupã interior de São Paulo. Comecei a correr, e agora estou aí na ativa e feliz da vida.
Esta introdução da minha história foi só para chegar no ponto de ser super herói por um dia, que até então imaginei ser um quando completei a ultramaratona de 75 km entre Bertioga a Maresias. Mas o meu dia mesmo foi quando estava treinando um longão e, já batendo uns 32 km, começou a cair um toró e já imaginei ser o fim do mundo. Esperei melhorar um pouco tomando uma água de coco em um posto de gasolina, como não diminuía, resolvi encarar. Por sorte, quando começo a descer a rua, a enxurrada estava muito forte e não arrisquei cruzar a rua, foi aí que vi uma mão segurando o portão de uma casa, não entendi, cheguei mais perto e vi que era um senhor de uns 72 anos caído na correnteza, só com a metade do rosto fora da água pedindo socorro. Prontamente o levantei e o levei até o posto de gasolina no colo, ele estava pálido, já imaginei o pior, pedi ajuda para algumas pessoas no local que prontamente chamaram um resgate. Após ser socorrido, foi constatado que havia sido mesmo a água fria e o susto, um dos paramédicos pediu os meus dados para registrar a ocorrência.
No dia seguinte recebo o telefonema da filha do idoso me agradecendo pelo ato e gentilmente me convidou para um almoço de domingo em sua casa, porque seu pai queria conhecer o herói que o salvou.
Digo agora muito emocionado que o meu dia de herói foi no dia 20 de dezembro de 2011, quando salvei o Seu João de quem tenho o prazer de ser amigo até hoje. Na vida tudo é programado, não foi à toa que larguei o cigarro e comecei a correr. Até mais!

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