terça-feira, 29 de outubro de 2013

EU CORRO PORQUE - Wilson de Lima

Desde 1999, comemora-se no dia 19 de novembro o dia Internacional do Homem. Aproveitando o gancho do Outubro Rosa, mês dedicado ao diagnóstico precoce do câncer de mama, criou-se o Novembro Azul. Para incentivar a prevenção do câncer de próstata.

A ideia do Novembro Azul é desmistificar a doença, que, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), acomete um a cada seis homens no Brasil. As estimativas mostram que 69 mil novos casos deverão ser diagnosticados somente em 2014 no país, um a cada 7,6 minutos. E o pior é que cerca de 13 mil brasileiros vão morrer em decorrência da doença, o que significa um óbito a cada 40 minutos.

Então corre para o médico e participe da campanha, mas antes disso, leia a história do corredor Wilson de Lima, sobre o câncer de próstata.

Vida de corredor é uma tarefa de muita dedicação à família, ao trabalho e ao esporte. Conciliar tudo isso é literalmente uma maratona. Quando Wilson de Lima estava preparado, seguindo à risca a planilha de treinos para estrear na Maratona de São Paulo deste ano, poucas semanas antes da prova, ele pisou de mal jeito ao descer do ônibus e torceu a perna, ocasionando uma lesão no menisco. Por causa do acidente, terá de passar por uma cirurgia nos próximos dias e, se tudo correr bem, correrá a São Silvestre (a cirurgia correu como o esperado, e além de concluir a São Silvestre, correu a Maratona de São Paulo de 2014). Mas, para o sorridente Wilson, o incidente não é nada, porque sua história é muito mais complexa do que este fato. Para entender por que, vamos voltar quatro atrás.

No começo de 2009, aos 46 anos, Wilson estava à procura de um esporte que pudesse praticar sozinho e a qualquer hora para ter uma qualidade de vida melhor. Antes disso, apenas batia uma bolinha com os amigos.

No mesmo ano começou a correr meio que por acaso e achou o que procurava. Entre trotes e mais trotes, inscreveu-se em uma corrida de rua para sentir como seria correr uma prova e se os seus treinos estavam fazendo algum efeito. Ficou maravilhado com a energia dos demais participantes. A alegria e a motivação dos outros atletas o fizeram terminar a prova como um campeão.


Sua mulher o aguardava na chegada e percebeu que viriam muito mais corridas pela frente. Ela então, o aconselhou a fazer alguns exames para ver se estava apto para a prática. Foi quando recebeu a pior notícia de sua vida: estava com câncer de próstata, "o muro bateu" (expressão usada por maratonistas quando quebram em uma corrida). 

Após a cirurgia para retirar o tumor, começou um longo tratamento com radioterapia. A desmotivação a falta de perspectiva o fizeram descontar tudo na comida, engordou, perdeu sua condição física. Até então, pensava somente em vencer este desafio e imaginava que a vida de esportiva estava encerrada. Mas a esperança e a certeza da cura foram a sua meta.

Com o apoio da família e a alta do médico, lembrou-se de um detalhe que talvez nunca tinha passado por sua cabeça: "a corrida salvou a minha vida, se não fosse por ela, não teria feito o checkup e descobriria a doença já em um estágio mais avançado". Percebeu que ganhou uma segunda chance na vida e que não poderia desperdiçar mais nem um minuto. Retornou à corrida, agora mais forte que nunca porque venceu o seu maior adversário.

Wilson de Lima - 50 anos - torneiro mecânico - 35 medalhas

onde costuma treinar - treino na região do Ipiranga e no Museu do Ipiranga, com o Adriano Pacheco

o dia de herói - quando cruzei a linha de chegada e deixei o câncer comendo
poeira

corrida dos sonhos - depois da cirurgia no joelho, vou retomar os treinos para a Maratona de São Paulo em 2014

pior corrida - foi a Meia Maratona de São Paulo, o circuito é muito difícil e, para mim, não deu 

melhor corrida - A Meia da Corpore, corri como nunca 

aconselharia alguém a correr - se eu pudesse faria todo mundo correr, é a melhor terapia