quinta-feira, 3 de outubro de 2013

OS ULTRAS - Deserto de Gobi

Por Carlos Dias, ultramaratonista

A prova de ultramaratona que me marcou muito, entre tantas outras, foi correr o deserto de Gobi em 2008. Eu estava do outro lado do planeta, na fronteira entre China, Mongólia e Kazaquistão. Partimos da cidade de Kashigar na China rumo à Mongólia para um povoado entre as montanhas de Jade, a pedra preciosa chinesa e, quando entramos no acampamento, uma multidão de mongol (o povo nômade da etnia Ukur) estava toda vestida para festa, pintados e com um sorriso no rosto. Crianças, jovens e velhos, juntos em um corredor 
enorme entre as montanhas, nos aplaudiram incansavelmente. Foi inevitável, chorei muito de emoção naquele dia, era meu primeiro deserto e seria duríssimo correr acima de 3000 metros de altura, mas consegui completar a prova em 63 horas. Fui recebido pelas crianças com suas bandeirinhas chinesas, todas vindo nos abraçar, os atletas e os staffs todos unidos emocionados confraternizando o sucesso da travessia de um deserto hostil. Era o ano da Olimpíada e o clima era de uma união, algo que não dá para descrever em palavras.