segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Poluição, o grande inimigo do corredor

Para nós, corredores, um ar puro sempre é o melhor combustível para os nossos treinos, mas aqueles que treinam em São Paulo sabem muito bem o mal que a poluição faz, ela é tão catastrófica que há estudos que comprovam que até cidades mais distantes da capital recebem estes poluentes. Leia esta reportagem que separei para o blog, boa leitura!

Matéria publicada no Jornal Folha de S.Paulo, de autoria de Afra Balazina e José Ernesto Credendio

Poluição de SP "viaja" mais de 600 km


A imagem de satélite com leitura infravermelho mostra uma mancha escura de monóxido de carbono, poluente expelido por motores e caldeiras, que parte de São Paulo e, dependendo da direção do vento, avança cerca de 600 km - às vezes, até mais - rumo ao interior do Estado. Quando o vento muda, a mancha cruza o litoral paulista e invade o oceano.
É a prova tecnológica de que poluentes da Grande SP afetam regiões distantes, mesmo áreas rurais, o que pode explicar parte da nota ruim dada pela Cetesb ao ar de cidades do interior. Além dos poluentes que produzem, elas recebem a poluição exportada pela capital.
É um problema semelhante ao que ocorre, por exemplo, na Europa, onde um país exporta poluição para o outro.
Foto: Fernando Dantas/Seguidores de Fidipides

A imagem de satélite do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) revela que a concentração de monóxido de carbono alcança até cinco vezes o limite para o ar ser considerado totalmente puro sobre cidades como Panorama, município a 687 km de São Paulo.


Embora a concentração de monóxido esteja abaixo do limite em que poderia afetar a saúde das pessoas na maior parte da região geográfica afetada, esse elemento, em contato com luz e calor, se transforma em ozônio - hoje considerado o poluente que mais preocupa São Paulo.

Em razão da presença de ozônio acima dos limites, a Cetesb já considerou impróprio o ar de municípios como São José dos Campos e Jaú - cidade cercada por canaviais.

Em comum, a maior parte dessas cidades tem a presença de grandes canaviais no entorno, com exceção de Marília, a cerca de 450 km de SP.
"O mais grave é que se trata de uma poluição com origem industrial e urbana, mas ainda não sabemos como ela afeta essas cidades", diz o pesquisador Saulo Freitas, do Inpe.

Nem mesmo pequenas comunidades na bucólica serra da Mantiqueira, que mantém a fama de ter um dos ares mais puros do mundo, estão livres de poluentes, segundo trabalho de pesquisadores do Inpe.
Plantas usadas para bio monitoramento de poluição apresentaram alterações esperadas somente para centros urbanos em teste realizado em São Francisco Xavier, povoado turístico na Mantiqueira muito procurado por paulistanos. A planta, sensível à poluição, é usada em experimentos semelhantes em todo o mundo.

Uma das possíveis causas para essa alteração, suspeitam pesquisadores, é o transporte de poluição produzida pelos dois maiores centros urbanos do país, as regiões metropolitanas de São Paulo e do Rio.
"Sabemos que o Vale do Paraíba [que passa ao lado de São Francisco] é um canal em que circula o ar entre Rio e São Paulo, é uma conexão", diz Freitas.