quinta-feira, 7 de novembro de 2013

CUIDADOS AO VIAJAR DE AVIÃO APÓS UMA MARATONA

Josivan Lima,
médico endocrinologista e maratonista

Cada vez mais combinamos corrida com turismo e, com a participação crescente de brasileiros em provas no exterior, tomar um avião é habito corriqueiro para se chegar ao local da prova e retornar para casa após a corrida. Mas há algum risco em correr após viagens longas ou viajar após uma maratona?

Dependendo da duração do voo e da corrida. Este perigo decorre da possibilidade de se desenvolver um problema chamado trombose venosa profunda a (TVP). Trata-se de uma condinação na qual, diante de fatores predisponentes, forma-se um coágulo (trombo) em uma ou mais veias profundas do corpo, usualmente nas pernas, causando dores semelhantes a cãibras. A formação deste trombo geralmente necessita de uma estase sanguínea, ou seja, que o sangue circule mais lentamente, e por isso é mais frequente acontecer quando se passa muito tempo sentado em viagens de carro ou avião. Além da dor na perna, um destes trombos pode migrar através da corrente sanguínea para o pulmão, levando a uma situação muito mais séria, chamada embolia pulmonar.

A desidratação, comum após as maratonas, deixa o sangue mais viscoso, o que também contribui para a trombose. Idade avançada é outro fator de risco, mas uma grande parte dos atletas que desenvolvem TVP têm menos de 60 anos.

O tempo de voo é  mais um motivo de preocupação e há relatos de que entre 1% e 10% dos passageiros em viagens com duração entre 2 e 10 horas podem representar algum grau de trombose venosa, geralmente não diagnosticada.

Recomenda-se não ficar muito tempo parado, ou seja, sentado, durante a viagem. Deve-se movimentar as pernas com frequência, flexionando-as a cada 15 minutos para ajudar a manter a circulação do sangue o mais próximo do normal. Outra conduta que ajuda a evitar a formação de trombos é usar meias de compressão, assim como procurar caminhar no corredor do avião. Se o voo é muito longo, outra opção é se programar previamente para realizar uma parada em alguma cidade, aproveitando para fazer turismo e reduzir os riscos.

Para reconhecer os sintomas é muito simples - panturrilha endurecida e dolorida, semelhante a uma cãibra, mas muito mais duradoura - um diagnóstico precoce é importante, pois o atraso no diagnostico piora bastante o prognóstico, podendo causar a morte.