sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Taca Pimenta!

Talvez poucas pessoas tenham reparado em um ciclista socorrendo maratonistas que passaram mal devido ao calor excessivo durante a 20ª
Maratona de São Paulo, realizada em outubro passado. Era o famoso Pimenta, ou melhor, Luis Antonio Pimenta Lima e, como ele mesmo se intitula, "médico, avô e pretenso atleta amador". Leia a seguir o seu relato:

Em dezembro de 2013 corri a São Silvestre e transformei em realidade um projeto que vinha sendo adiado desde os meus 30 anos. Foi uma sequência de prorrogações: 30, 35, 40, 45, até que em 2013, ao completar 50 anos, tomei a decisão: será esse ano. Pensei em me preparar, mas a atribulação da carreira de médico pediatra insistia em me atrapalhar. Na verdade, era eu que me atrapalhava.


No decorrer de 2013, corri algumas provas de até 7 km e, depois que vi os meus tempos baixarem, já pensei que era um superatleta congênito. 
Em dezembro do mesmo ano, concluí a inscrição para a São Silvestre, cheio de vontade de realizar o meu projeto pessoal que há muito adiei.

Nos 15 km da São Silvestre, o sofrimento e a decepção de não ter treinado mais quase me fizeram desistir. Mas a vontade de vencer foi maior e tinha que concluir a minha tão sonhada corrida. Mesmo me arrastando na subida da Brigadeiro (avenida Brigadeiro Luís Antônio), arranjei forças e, quando virei na avenida Paulista, disparei num sprint alucinante de um gordinho de 93kg para os meus 1,70m para cruzar a linha de chegada. Em resumo, ganhei.

No ano seguinte comecei a treinar com assessoria esportiva, foram uns tantos perrengues e muitas dores musculares, bolhas, unhas roxas. Mas teve dois destaques que superaram tudo: a Bravus Race que participei, uma prova de 5Km com 15 obstáculos que me deixou feliz por estar acompanhado de cinco amigos da assessoria esportiva da qual participo. Terminei repleto de lama que justificou os meus esforços e

ressuscitou não só o atleta, mas o menino que estava há tanto adormecido.

Logo depois, eu praticamente voei nos 15km da corrida Sargento Gonzaguinha,

que serviu de parâmetro para saber se estava preparado para o meu próximo desafio. 

Te encontro na 90ª corrida de São Silvestre.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

E no caminho tinha uma montanha, tinha uma montanha no meu caminho.

Às 6h da manhã do dia 29 de novembro, o despertador interrompe o som dos grilos de São Bento do Sapucaí, município do Vale do Paraíba muito próxima a Campos do Jordão. E eu, pelos meus cálculos, havia dormido apenas 40 minutos de uma noite silenciosa no chalé onde me hospedei no centro da cidade.

Após um café com vista para a montanha da velha conhecida Pedra do Baú que me esperava, então me dirigi até o evento denominado Endurance, para os 50 km de prova na montanha organizada pela empresa Corridas de Montanha.

Pouco antes da largada, o diretor da prova alerta: "cuidado corredores, devido às chuvas desta semana, o percurso está muito técnico".

Olho ao redor e percebo que não abalou em nada os demais atletas, pensei comigo: "vou tomar cuidado e só, vou fazer o que treinei."

E toca a corneta! Saio em uma passada tímida, não queria queimar logo no começo pois sabia que a primeira subida de uns 8km é praticamente uma parede e lá ninguém ousa correr, é colocar as mãos na coxa e ditar o ritmo.

Há apenas 20 dias, mais precisamente no dia 8 de novembro, já havia corrido 50 km de pista, e lá estava eu novamente encarando a mesma distância, só que desta vez com a elevação de 2.428m.

Bom, km vai, km vem, sobe, desce e entra na parte mais temida, um longo trecho dentro da mata fechada e com uma trilha estreita e, para falar a verdade, acho que tinha uns 90 graus de inclinação, tá louco! Não parava nunca de subir. Tive de dar uma parada rápida porque comecei a sentir tontura devido ao ar rarefeito.

Depois de algum tempo, estava praticamente sozinho, somente me orientando pelas cordinhas de marcação do percurso estrategicamente colocadas pela organização. Tomo um susto com um barulho vindo da copa das árvores, já imaginei uma cobra, onça, sabe como é caipira da cidade grande que não manja nada de natureza. Mas, em vez de feras ou serpentes, logo à frente vejo um tucano, imagina só o presente que ganhei neste momento, ele me acompanhou mais alguns metros e se foi pelo imensidão da floresta.

No pico desta montanha havia uma pedra muito grande, tipo de um mirante. Estava 
tão alto que via um riozinho e um vilarejo lá longe, o staff que estava lá para nos apoiar disse que aquele local já era Minas Gerais e que passamos por lá, muito legal, não?

Vou resumir a minha aventura. Depois de muito tempo de corrida, uma corredora me alcança e, entre trote e caminhada rápida, conversamos sobre outras provas que já fizemos e que ainda estão por vir, foi muito bom porque ditou um ritmo um ao outro. Parei no km acho que 42 para reabastecer e tomar um isotônico gelado (como é bom quando você já está esgotado!) e a corredora, de quem não me recordo o nome, continuou.
Já recuperado, volto a correr e ainda consigo passar por três participantes numa descida acidentada muito complicada, imagine se machucar a dois quilômetros da chegada! Até que piso na estrada de paralelepípedo em direção a minha vitória pessoal, na Galeria de Arte do Quilombo.

No caminho foi muito legal os moradores nos portões parabenizando a todos, e também os corredores que participariam dos 9 e 12 km com largada às 16h estacionando os carros e torcendo por nós. Pronto, depois de 7h26, lá estava eu, exausto, recebendo a minha preciosa medalha e a camiseta de finisher e, acredite, ainda fiquei em 35º lugar no geral, e lembra da corredora? Subiu no pódio em 3º lugar.


Quer sair do asfalto e curtir uma corrida na montanha? Acesse: corridasdemontanha.com.br e divirta-se.





quinta-feira, 13 de novembro de 2014

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Colação de Grau.

Às 10h de um sábado nublado, toca a corneta e eu, na linha de largada, dou o start no cronômetro para desafiar os 50 km na pista de atletismo do clube Espéria, na Ultramaratona Dizzy Endurance, sendo que os da categoria de 100 km já estavam correndo há duas horas.

Me considero ainda um corredor jovem no mundo das corridas, estou nessa há dois anos e meio, e já me desafiei pra caramba. E percebi que o que eu gosto mesmo são de provas longas ou de montanha, onde me sinto mais vivo e, quando termino, percebo que corri mesmo porque dói até o cabelo.

Bom, voltando para a ultramaratona, ainda no caminho para a prova, estava com um frio na barriga incontrolável quando entrei no clube e avistei os atletas dos 100 km dando voltas e mais voltas. Já estava me imaginando ali tentando quebrar minha distância que, até então, era de maratonista. Esta seria a minha colação de grau na corrida de longa distância e, chega de enrolação, vamos para a corrida. 

Estudei um ritmo conservador entre 4:40 e 5:30 para manter até o fim e garantir um bom tempo final mas, no km 5, sinto uma paulada na panturrilha esquerda que me fez mancar 45 km. Foi uma dor tão forte que quase não consegui dobrar a perna para concluir a passada. Começo a andar até o posto de apoio e passei gelo no local dolorido, alonguei, fiz o possível, mas a dor não melhorava. Decidi correr assim  mesmo. Esta lesão me acompanhou a semana anterior inteira, porque, no lugar de descansar corri os 10k da Série Delta no Ipiranga. Tenho certeza de que veio de lá mas, tudo bem, vivendo e aprendendo.

Na primeira hora de corrida estava em 15º, e minha meta era terminar entre os dez. A prova foi muito
bem organizada com duas tendas de hidratação e comida, com desclassificação do atleta caso jogasse lixo na pista. A cada duas horas se invertia o sentido da pista de 375 metros e a cada volta dava para visualizar o monitor na cronometragem, com o número de voltas e a distância percorrida. Quando passei pela tela e vi que já havia passado dos 43 km, me senti de fato ultramaratonista, ou seja, ultramaratonistas são aqueles atletas que transpassam a barreira dos 42,195 metros da maratona.

E, resumindo, senti enjoo, pensei que iria vomitar, dor na perna e tudo o mais, e sem contar que após correr 5h27, ainda tinha de dar um sprint para entrar no trabalho às 17h. É mole?

Esta ultra foi muito especial, consegui terminar em 9° no geral e, para minha surpresa, PRIMEIRO na minha categoria, quer melhor que isso? Pensei que nem terminaria e consigo um resultado desse, agora que não paro mesmo!



terça-feira, 4 de novembro de 2014

Novas normas para treinar na USP - veja o antes e depois

Desde o dia 1º de novembro, a administração da USP (Universidade de São Paulo) começou a testar um circuito para os treinos de corrida e bicicleta nas dependências do campus denominado "Projeto Piloto para práticas esportivas na Cidade Universitária", visando regulamentar a prática esportiva.
Trata-se de um percurso de seis quilômetros devidamente sinalizado com cones, sem interferência do tráfego de veículos e com horários específicos para cada modalidade, sendo das 4h às 6h para a prática de ciclismo, e das 7h às 12h dedicados ao pedestrianismo.

O Projeto Piloto foi elaborado pela prefeitura da universidade em parceria com a Associação dos Treinadores de Corrida de São Paulo, Federação Paulista de Triathlon e
esportistas independentes. Este projeto descarta a subida da rua do Matão, fazendo um traçado plano, o que desagradou muitos corredores e ciclistas.

O percurso passa pelas av. prof. Mello Moraes, av. prof. Almeida Prado, av. prof. Luciano Gualberto, av. prof. Lineu Pires, praça do Relógio Solar, rua da praça do Relógio e rua do Anfiteatro.

Esta nova norma vem em decorrência do atropelamento de cinco atletas no dia 16 de agosto deste ano, que vitimou o atleta veterano Álvaro Teno, de 67 anos, por um motorista bêbado.
Na opinião do blog Seguidores de Fidipides, esta nova norma não facilita em nada os treinos de corrida e bicicleta na Cidade Universitária. Ela restringe a liberdade de traçar um percurso conforme a planilha de cada um.

Na nossa opinião, seria conveniente fechar para o trânsito de veículos motorizados aos sábados, das 7 às 12h, as áreas mais utilizadas pelos atletas.

Novo circuíto
Antigo percurso




.
























Conheça um pouco da história da USP.

Fundada em 25 de Janeiro de 1934. Após a derrota de São Paulo na Revolta de 1932
Local do estacionamento, raia olímpica
, o Estado se viu ante a necessidade de formar uma nova elite capaz de contribuir para o aperfeiçoamento das instituições, do governo e a melhoria do país. Com esse objetivo, um grupo de empresários fundou a Escola Livre de Sociologia e Política em 1933, e o interventor de São Paulo Armando de Salles Oliveira criou a Universidade de São Paulo (USP).

Considerada um dos melhores lugares para treinar ciclismo e corrida, a USP tem uma área de 7.443.770 conta com muito ar puro e uma variedade de percursos para todos os tipos de treinos e corredores, de iniciantes a profissionais. Por causa disso, muitas empresas organizadoras de corrida escolhem o local para realizar suas provas.

Quando for treinar por lá, não deixe de subir a rua do Matão, de aproximadamente 800 metros, conhecida como a temida "subida da Biologia".


Subida da Biologia


Praça Ramos de Azevedo
prós - tem um farto estacionamento localizado na raia olímpica, vários percursos e bem arborizada, e facilidade para o uso do transporte público.

contras - não tem banheiro, nem bebedouros, às vezes aparece alguns vendedores de água e água de coco.

como chegar - de Metrô - Estação Butantã, 
CPTM - estação Cidade Universitária

Novembro Azul

Desde 1999, comemora-se no dia 19 de novembro o dia Internacional do Homem. Aproveitando o gancho do Outubro Rosa, mês dedicado ao diagnóstico precoce do câncer de mama, criou-se o Novembro Azul. Para incentivar a prevenção do câncer de próstata.

A ideia do Novembro Azul é desmistificar a doença, que, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), acomete um a cada seis homens no Brasil. As estimativas mostram que 69 mil novos casos deverão ser diagnosticados somente em 2014 no país, um a cada 7,6 minutos. E o pior é que cerca de 13 mil brasileiros vão morrer em decorrência da doença, o que significa um óbito a cada 40 minutos.

Então corre para o médico e participe da campanha, mas antes disso, leia a história do corredor Wilson de Lima, sobre o câncer de próstata.

Vida de corredor é uma tarefa de muita dedicação à família, ao trabalho e ao esporte. Conciliar tudo isso é literalmente uma maratona. Quando Wilson de Lima estava preparado, seguindo à risca a planilha de treinos para estrear na Maratona de São Paulo deste ano, poucas semanas antes da prova, ele pisou de mal jeito ao descer do ônibus e torceu a perna, ocasionando uma lesão no menisco. Por causa do acidente, terá de passar por uma cirurgia nos próximos dias e, se tudo correr bem, correrá a São Silvestre (a cirurgia correu como o esperado, e além de concluir a São Silvestre, correu a Maratona de São Paulo de 2014). Mas, para o sorridente Wilson, o incidente não é nada, porque sua história é muito mais complexa do que este fato. Para entender por que, vamos voltar quatro atrás.

No começo de 2009, aos 46 anos, Wilson estava à procura de um esporte que pudesse praticar sozinho e a qualquer hora para ter uma qualidade de vida melhor. Antes disso, apenas batia uma bolinha com os amigos.

No mesmo ano começou a correr meio que por acaso e achou o que procurava. Entre trotes e mais trotes, inscreveu-se em uma corrida de rua para sentir como seria correr uma prova e se os seus treinos estavam fazendo algum efeito. Ficou maravilhado com a energia dos demais participantes. A alegria e a motivação dos outros atletas o fizeram terminar a prova como um campeão.



Sua mulher o aguardava na chegada e percebeu que viriam muito mais corridas pela frente. Ela então, o aconselhou a fazer alguns exames para ver se estava apto para a prática. Foi quando recebeu a pior notícia de sua vida: estava com câncer de próstata, "o muro bateu" (expressão usada por maratonistas quando quebram em uma corrida). 

Após a cirurgia para retirar o tumor, começou um longo tratamento com radioterapia. A desmotivação a falta de perspectiva o fizeram descontar tudo na comida, engordou, perdeu sua condição física. Até então, pensava somente em vencer este desafio e imaginava que a vida de esportiva estava encerrada. Mas a esperança e a certeza da cura foram a sua meta.

Com o apoio da família e a alta do médico, lembrou-se de um detalhe que talvez nunca tinha passado por sua cabeça: "a corrida salvou a minha vida, se não fosse por ela, não teria feito o checkup e descobriria a doença já em um estágio mais avançado". Percebeu que ganhou uma segunda chance na vida e que não poderia desperdiçar mais nem um minuto. Retornou à corrida, agora mais forte que nunca porque venceu o seu maior adversário.

Wilson de Lima - 50 anos - torneiro mecânico - 35 medalhas

onde costuma treinar - treino na região do Ipiranga e no Museu do Ipiranga, com o Adriano Pacheco

o dia de herói - quando cruzei a linha de chegada e deixei o câncer comendo
poeira

corrida dos sonhos - depois da cirurgia no joelho, vou retomar os treinos para a Maratona de São Paulo em 2014

pior corrida - foi a Meia Maratona de São Paulo, o circuito é muito difícil e, para mim, não deu 

melhor corrida - A Meia da Corpore, corri como nunca 

aconselharia alguém a correr - se eu pudesse faria todo mundo correr, é a melhor terapia



quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Livro Tamanho é Documento?

Recentemente, publiquei a história do corredor Matheus de Freitas. A novidade
é que agora, além de ministrar palestras motivacionais, o anão maratonista acaba de lançar o livro de sua autoria "Tamanho é documento?", pela Editora Gregory.


Neste trabalho, Matheus relata a sua história no pedestrianismo, os percalços que sua baixa estatura causaram e como driblou o preconceito na infância e no período escolar.

Quem se interessar em adquirir o livro e um autografado, o autor Matheus de Freitas estará na 23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo que acontece de 22 a 31 de Agosto de 2014, no Anhembi.

De segunda a sexta, das 9h às 22h | sábado e domingo, das 10h às 22h (*dia 31/08, somente até às 21h). 

Leia a seguir a sua história.

EU CORRO PORQUE - Matheus de Freitas

Quando o cronometro registrava 03h19 e enquanto o público aplaudia os verdadeiros heróis, um em especial passava pelo pórtico de chegada para completar a XIX Maratona Internacional de São Paulo. Era a conquista do segundo lugar na categoria e a 172ª na classificação nos 42,195, superando as mais diversas adversidades da prova e da vida. 
Com apenas 1,50m de altura, Matheus de Freitas Silva é um vencedor tanto nas corridas como na vida pessoal. Algumas pessoas riram quando declarou sua intenção de ser um maratonista, achavam que seria impossível. O apoio mais sincero sempre vinha de sua mãe, a única que acreditava que seria um vitorioso.
Começou a correr aos 12 anos e, segundo ele, foi paixão à primeira vista. Hoje, aos 23 anos, e com um quartel de títulos invejável, deixa muito grandalhão pra trás. Este corredor também ministra palestras em empresas sobre superação de limites.

Matheus de Freitas - auxiliar administrativo - passou de 100 corridas

comecei a correr - aos 12 anos

por que começou a correr - comecei a correr por incentivo de amigos, e 


nunca mais parei

onde costuma treinar – região de Itaquera

o dia de herói - foi quando eu corri uma maratona guiando um deficiente visual

corrida dos sonhos - Maratona de Nova York

antes da largada
 - concentração geral

na chegada - não pode faltar o tiro de 100 metros na chegada

pior corrida – em 2005, na corrida Unicsul, sofri muito com cãimbras

quem admira no esporte – pessoas com deficiências físicas

correr é – correr é um vicio sadio, que me ajuda muito a super a dor da morte da minha mãe.

você aconselha alguém a correr – sem dúvida, a corrida é um esporte que nos ajuda a distrair a mente, desestressar, e é um ótimo meio de fazer amigos

Se tiver interesse em suas palestras, entre em contato

Matheus de Freitas Silva e-mail: atheus_freitas_silva@yahoo.com.br





sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Maratona de 17 kms


Como de costume, quando participo de alguma prova longe da capital paulista, sempre reservo algum hotel ou pousada na companhia de minha mulher, de preferência o mais próximo possível da largada para facilitar a logística da corrida.

Quando fui correr a Maratona das Praias em Bertioga no mês de julho, pouco antes da largada lá estava eu tomando meu café da manhã na pousada, quando o Seu Zé, o faz tudo do local e que também prepara a mesa e o café da manhã, logo pergunta: "você vai correr esta maratona com este frio?" Eu, como um corredor orgulhoso, já respondo de imediato: "vou sim, com este frio e na areia da praia, não vai ser fácil".

O Seu Zé balança a cabeça dá uma risadinha e solta logo: "esta corrida não vale nada, é só pra louco mesmo". E aí eu: "poxa, mas, são 42 km, não é pouca coisa não!". E um outro rapaz que estava tomando o seu café com leite grita lá do fundo: "conta a sua história, Zé!"

Fiquei curioso e pedi para contar a sua aventura. Ele deixou a bandeja de frios sobre a mesa e começou: "quando morava na Bahia, com uns 18 anos, teve uma maratona de 17 km e valia uma moto zerinho. Fiquei louco pela moto. Me inscrevi e treinei um mês todinho. Quando largou, saí no pau e nem olhei para trás, mas sabia que estava em primeiro. O pessoal na rua ficava gritando vai, vai! Quando faltava uns 500 metros, já tava até vesgo de tanto correr e sem fôlego nenhum, dois caras me passaram com tudo, e acabei ficando em terceiro, não tinha nem medalha nem troféu, só a moto mesmo, que ficou só no meu sonho".

Eu fiquei entusiasmado com o relato imaginando que, depois disso, ele teria pegado gosto pelo pedestrianismo. O indaguei, mas ele respondeu que, depois disso, nunca mais correu.

O Seu Zé pegou a bandeja, colocou no lugar certo e foi em direção à cozinha pegar o leite quente. Terminei meu café da manhã e fui correr a minha maratona pensando nesta história.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Foto histórica.

Corredores da maratona nos primeiros Jogos Olímpicos da era moderna, realizada em Atenas, Grécia - 1896



terça-feira, 6 de maio de 2014

Conheça Carlos Run

Às seis da manhã, já é possível ouvir passos rápidos na pista de atletismo. Às 13h, está na porta da faculdade para buscar a mulher. Às 16h, outro treino. Depois coloca água para gelar, pega os equipamentos e corre para o Parque Celso Daniel, em Santo André, para treinar os seus alunos da assessoria Number Run Running. Ufa, vida corrida, não? Pois é, esta é a rotina de Carlos Moreira dos Santos, ou como é conhecido, Carlos Run. 

O garoto de 12 anos ainda sonhava em ser um jogador de futebol, quando a corrida entrou de vez em sua vida esportiva. Aos 16 anos, encarou e foi escolhido na peneira do Vasco da Gama, no Rio de Janeiro. Mesmo com receio de ficar longe da família, aceitou o desafio na esperança de melhorar de vida e ajudar a família, e lá ficou por três anos. Sua rotina de treinos e competições no juvenil lhe renderam lesões e frustrações, o que o trouxe de volta para casa.


Mas o sonho de ser corredor ainda pulsava em suas veias. Grande admirador do fundista etíope Haile Gebrselassie, entre um sprint e outro, viu a oportunidade de fundar uma assessoria esportiva com a irmã Joice.

Hoje, o sorridente Carlos Run sempre é visto nos pódios das principais corridas de rua e também na sua assessoria, a Number Run Running no Parque Celso Daniel em Santo André. Quer saber mais, acesse: http://www.number1running.com.br

segunda-feira, 5 de maio de 2014

quinta-feira, 1 de maio de 2014

"HOJE VIVO PARA CORRER E CORRO PARA VIVER"

Muitos adolescentes tímidos se utilizam de artifícios para ter acesso às turmas mais descoladas e, claro às namoradas. Às vezes, o recurso mais acessível e "eficiente" para esta finalidade são as drogas. Depois, para sair do buraco é um caminho tortuoso que, muitas vezes, culmina com a morte.

É exatamente esta experiência que o corredor Mauricio Wruck Parronchi relatou para o blog.

"Fui um jovem muito tímido e isto me atrapalhava muito para se aproximar das pessoas, principalmente no começo da adolescência, quando comecei a tomar bebida alcoólica, o que me ajudou muito a vencer a timidez. Tempos depois, a curiosidade me levou a algo mais descolado e embarquei na maconha.

Lá pelos 20 anos, como não controlava a minha compulsão, conheci a cocaína. Neste período, me casei e prometi que pararia, mas continuava a me drogar escondido. Só dei uma aliviada quando nasceu o meu primeiro filho, minha ex-mulher desconfiava que eu continuava, mas eu sempre dizia que não.

Passando este período, e com o meu filho já grandinho, eu me afundei de vez e as pessoas começaram a perceber porque eu me encontrava numa situação física e psicológica abalada. Só eu não percebia. Foi quando perdi tudo: a família, o trabalho, os amigos, cheguei ao fundo do poço. Sem nada, só na droga, me vi numa situação tão deprimente e que poderia me levar à morte.

'Vivia para usar e usava pra viver'

Não cheguei a morar na rua porque a minha mãe me resgatou, nunca fechou a porta. Tentei tomar medicamentos, mas não adiantou. Na época, não tínhamos internet, então era difícil obter informações sobre tratamentos. Foi quando pedi ajuda para o meu pai, ele perguntou para uns amigos e descobriu uma clínica em Sumaré, mas eu tinha que ir por vontade própria e não poderia ir obrigado pois não aceitariam, mas eu queria mudar e me internei.

Conheci a Irmandade Narcóticos Anônimos no começo de 1999. Vi muitos com os mesmos problemas que eu, segui à risca a internação e sai desta clinica no fim do mesmo ano. Voltei para São Paulo, mas tive umas recaídas e, em 2000, retornei ao grupo, desta vez no bairro do Ipiranga, quando prometi que não usaria mais nada e parei até de fumar cigarro.

Estava me sentindo purificado e de bem comigo mesmo, mas sofria de ansiedade. Para controlar, descontava na comida e nos doces, então a minha magreza dos tempos das drogas subiu aos 106 quilos, em 2001.

Frequento o grupo de Narcóticos Anônimos até hoje, e lá temos o que chamamos de padrinhos, que são aqueles que estão há mais tempo que os demais, e o meu me incentivou a praticar algum esporte para perder peso e melhorar a minha capacidade física. Fui para a natação no Sesc. Naquele período já estava trabalhando e reconquistando a minha vida aos poucos.

Após as reuniões, sempre ia até o Museu do Ipiranga refletir sobre a vida e ficava observando as pessoas correndo. Um dia, calcei os tênis e engatei uma caminhada mais rápida, mas passei mal, a visão escureceu, pensei que ia desmaiar. Conheci o Carlão, um corredor com experiência que me incentivou a correr na esteira para pegar resistência, e então, comecei aumentando a distância. 

Fui para a rua quando o Carlão me convidou para participar de uma prova, no começo, pensei que fosse brincadeira dele, mas fui na Volta da Penha e fiz os 10 km em 58 min. Quando terminei, senti o maior prazer de liberdade da minha vida, uma sensação tão boa, um prazer que, antes, só as drogas me davam. Vi que seria este o caminho para me dar adrenalina, paz, baixar minha ansiedade e resgatar a minha dignidade. Fui reconquistando tudo que o tinha perdido, o trabalho, a família, me reaproximei do meu filho com quem há muito tempo não me comunicava, dai por diante. 

Em 2004, minha irmã me apresentou uma amiga a advogada, Márcia Cirilo que acabava de sair de um casamento. Um ano depois estávamos casados. Logo depois ela engravidou e comecei a ficar mal porque eu estava em plena atividade física e ela não podia me acompanhar devido à gravidez. Dei um tempo, mas voltei a engordar. 

Depois que nosso filho nasceu e passou da fase de recém-nascido, voltei a
correr e ela também, pois é aficionada por corridas. Procuramos uma assessoria esportiva para desta vez correr pra valer e com o objetivo de completar a maratona de São Paulo de 2011, no entanto, tive uma lesão na panturrilha e parei no km 25.

Aos 48 anos, totalmente recuperado das drogas, com a família unida e os filhos por perto (e também correndo), tenho 70 corridas. Meu objetivo para 2014 é completar a maratona de São Paulo que em 2011 tive que desistir no km 25. A Márcia correu a São Silvestre e tem como sonho o Desafio ao Pateta na Disney".

"Hoje vivo para correr e corro para viver".

sábado, 19 de abril de 2014

RELATO: Samir Siviero

Para quem ainda não acredita no poder transformador da corrida ou se ainda tem dúvidas se deve corre ou não, leia o relato do jornalista Samir Siviero.


Que venha o próximo desafio


Correr começou com uma decisão pessoal de iniciar uma prática esportiva de forma mais frequente e fez parte considerável de um consequente processo de perda de peso. Chegando perto dos 100 quilos decidi que deveria me preocupar mais com minha saúde e, ao mesmo tempo em que iniciei uma dieta de restrição alimentar, comecei a tentar correr.

Tentar mesmo, porque não conseguia manter o ritmo por muito tempo e ao final da tentativa todas as articulações doíam. Mas não desisti. Andava, corria um pouco, voltava a andar e, com o tempo, conforme ia aumentando o ritmo, perdia peso e as dores nas articulações diminuíam.

Confesso que sempre fui muito preguiçoso pra esse tipo de atividade esportiva. Pra mim, jogar um futebolzinho no domingo e depois tomar uma cerveja com os amigos já era considerado um esporte e tanto... Mas, ao correr, os resultados começaram a aparecer rápido e acabei tomando gosto. Não que às vezes, durante a corrida, eu ainda não pense que diabos estou fazendo ao correr 10 quilômetros, mas o final é muito compensador, pois faz um bem imenso pro corpo e pra mente.

Entre a decisão de começar a correr até minha primeira prova de 10 quilômetros foi-se um período de um ano e meio. Nesse tempo cheguei a perder 17 quilos e passei de um sujeito sedentário para uma pessoa que, pelo menos, uma vez por semana faz uma corrida dos seus 9, 10 quilômetros.
Claro que tive meus percalços, como uma fascite plantar que me acompanha até hoje e o rompimento de dois tendões do tornozelo direito durante uma partidinha de futebol, que atrasaram minha participação na primeira prova de 10 quilômetros. 

A fascite ainda foi responsável por eu ficar entre setembro do ano passado até abril deste ano esperando pela participação na segunda corrida, o que consegui fazer em 6 de abril, com tempo ainda melhor do que há sete meses.
Correr se tornou uma paixão, daquelas que te fazem mudar hábitos e te fazem pensar nela a todo momento. 

Correr sozinho é uma terapia muito boa, sua cabeça trabalha de uma forma muito diferente e atingir desafios impostos por você mesmo causa emoções das mais variadas. Hoje entendo porque as pessoas chegam às lágrimas por completar uma prova ou por, simplesmente, conseguirem correr novamente depois de um tempo de estiagem.

E as provas são um capítulo à parte. Não por você competir com outras pessoas, mas por colocar você mesmo à prova, por correr em um trajeto, horário e data estipulados por outras pessoas. Quando você vai às ruas por conta própria, sai de casa no momento que bem entender e faz o trajeto que lhe é mais confortável e ser colocado à prova em uma situação diferente se torna ainda mais desafiador. 

E cumprir esse desafio, independente de tempo ou classificação, é motivo de muito orgulho e te leva a querer saber quando é a próxima corrida pra se preparar ainda mais e se impor um novo desafio.

Então, que venha o próximo desafio!!!