sábado, 19 de abril de 2014

RELATO: Samir Siviero

Para quem ainda não acredita no poder transformador da corrida ou se ainda tem dúvidas se deve corre ou não, leia o relato do jornalista Samir Siviero.


Que venha o próximo desafio


Correr começou com uma decisão pessoal de iniciar uma prática esportiva de forma mais frequente e fez parte considerável de um consequente processo de perda de peso. Chegando perto dos 100 quilos decidi que deveria me preocupar mais com minha saúde e, ao mesmo tempo em que iniciei uma dieta de restrição alimentar, comecei a tentar correr.

Tentar mesmo, porque não conseguia manter o ritmo por muito tempo e ao final da tentativa todas as articulações doíam. Mas não desisti. Andava, corria um pouco, voltava a andar e, com o tempo, conforme ia aumentando o ritmo, perdia peso e as dores nas articulações diminuíam.

Confesso que sempre fui muito preguiçoso pra esse tipo de atividade esportiva. Pra mim, jogar um futebolzinho no domingo e depois tomar uma cerveja com os amigos já era considerado um esporte e tanto... Mas, ao correr, os resultados começaram a aparecer rápido e acabei tomando gosto. Não que às vezes, durante a corrida, eu ainda não pense que diabos estou fazendo ao correr 10 quilômetros, mas o final é muito compensador, pois faz um bem imenso pro corpo e pra mente.

Entre a decisão de começar a correr até minha primeira prova de 10 quilômetros foi-se um período de um ano e meio. Nesse tempo cheguei a perder 17 quilos e passei de um sujeito sedentário para uma pessoa que, pelo menos, uma vez por semana faz uma corrida dos seus 9, 10 quilômetros.
Claro que tive meus percalços, como uma fascite plantar que me acompanha até hoje e o rompimento de dois tendões do tornozelo direito durante uma partidinha de futebol, que atrasaram minha participação na primeira prova de 10 quilômetros. 

A fascite ainda foi responsável por eu ficar entre setembro do ano passado até abril deste ano esperando pela participação na segunda corrida, o que consegui fazer em 6 de abril, com tempo ainda melhor do que há sete meses.
Correr se tornou uma paixão, daquelas que te fazem mudar hábitos e te fazem pensar nela a todo momento. 

Correr sozinho é uma terapia muito boa, sua cabeça trabalha de uma forma muito diferente e atingir desafios impostos por você mesmo causa emoções das mais variadas. Hoje entendo porque as pessoas chegam às lágrimas por completar uma prova ou por, simplesmente, conseguirem correr novamente depois de um tempo de estiagem.

E as provas são um capítulo à parte. Não por você competir com outras pessoas, mas por colocar você mesmo à prova, por correr em um trajeto, horário e data estipulados por outras pessoas. Quando você vai às ruas por conta própria, sai de casa no momento que bem entender e faz o trajeto que lhe é mais confortável e ser colocado à prova em uma situação diferente se torna ainda mais desafiador. 

E cumprir esse desafio, independente de tempo ou classificação, é motivo de muito orgulho e te leva a querer saber quando é a próxima corrida pra se preparar ainda mais e se impor um novo desafio.

Então, que venha o próximo desafio!!!