terça-feira, 6 de maio de 2014

Conheça Carlos Run

Às seis da manhã, já é possível ouvir passos rápidos na pista de atletismo. Às 13h, está na porta da faculdade para buscar a mulher. Às 16h, outro treino. Depois coloca água para gelar, pega os equipamentos e corre para o Parque Celso Daniel, em Santo André, para treinar os seus alunos da assessoria Number Run Running. Ufa, vida corrida, não? Pois é, esta é a rotina de Carlos Moreira dos Santos, ou como é conhecido, Carlos Run. 

O garoto de 12 anos ainda sonhava em ser um jogador de futebol, quando a corrida entrou de vez em sua vida esportiva. Aos 16 anos, encarou e foi escolhido na peneira do Vasco da Gama, no Rio de Janeiro. Mesmo com receio de ficar longe da família, aceitou o desafio na esperança de melhorar de vida e ajudar a família, e lá ficou por três anos. Sua rotina de treinos e competições no juvenil lhe renderam lesões e frustrações, o que o trouxe de volta para casa.


Mas o sonho de ser corredor ainda pulsava em suas veias. Grande admirador do fundista etíope Haile Gebrselassie, entre um sprint e outro, viu a oportunidade de fundar uma assessoria esportiva com a irmã Joice.

Hoje, o sorridente Carlos Run sempre é visto nos pódios das principais corridas de rua e também na sua assessoria, a Number Run Running no Parque Celso Daniel em Santo André. Quer saber mais, acesse: http://www.number1running.com.br

segunda-feira, 5 de maio de 2014

quinta-feira, 1 de maio de 2014

"HOJE VIVO PARA CORRER E CORRO PARA VIVER"

Muitos adolescentes tímidos se utilizam de artifícios para ter acesso às turmas mais descoladas e, claro às namoradas. Às vezes, o recurso mais acessível e "eficiente" para esta finalidade são as drogas. Depois, para sair do buraco é um caminho tortuoso que, muitas vezes, culmina com a morte.

É exatamente esta experiência que o corredor Mauricio Wruck Parronchi relatou para o blog.

"Fui um jovem muito tímido e isto me atrapalhava muito para se aproximar das pessoas, principalmente no começo da adolescência, quando comecei a tomar bebida alcoólica, o que me ajudou muito a vencer a timidez. Tempos depois, a curiosidade me levou a algo mais descolado e embarquei na maconha.

Lá pelos 20 anos, como não controlava a minha compulsão, conheci a cocaína. Neste período, me casei e prometi que pararia, mas continuava a me drogar escondido. Só dei uma aliviada quando nasceu o meu primeiro filho, minha ex-mulher desconfiava que eu continuava, mas eu sempre dizia que não.

Passando este período, e com o meu filho já grandinho, eu me afundei de vez e as pessoas começaram a perceber porque eu me encontrava numa situação física e psicológica abalada. Só eu não percebia. Foi quando perdi tudo: a família, o trabalho, os amigos, cheguei ao fundo do poço. Sem nada, só na droga, me vi numa situação tão deprimente e que poderia me levar à morte.

'Vivia para usar e usava pra viver'

Não cheguei a morar na rua porque a minha mãe me resgatou, nunca fechou a porta. Tentei tomar medicamentos, mas não adiantou. Na época, não tínhamos internet, então era difícil obter informações sobre tratamentos. Foi quando pedi ajuda para o meu pai, ele perguntou para uns amigos e descobriu uma clínica em Sumaré, mas eu tinha que ir por vontade própria e não poderia ir obrigado pois não aceitariam, mas eu queria mudar e me internei.

Conheci a Irmandade Narcóticos Anônimos no começo de 1999. Vi muitos com os mesmos problemas que eu, segui à risca a internação e sai desta clinica no fim do mesmo ano. Voltei para São Paulo, mas tive umas recaídas e, em 2000, retornei ao grupo, desta vez no bairro do Ipiranga, quando prometi que não usaria mais nada e parei até de fumar cigarro.

Estava me sentindo purificado e de bem comigo mesmo, mas sofria de ansiedade. Para controlar, descontava na comida e nos doces, então a minha magreza dos tempos das drogas subiu aos 106 quilos, em 2001.

Frequento o grupo de Narcóticos Anônimos até hoje, e lá temos o que chamamos de padrinhos, que são aqueles que estão há mais tempo que os demais, e o meu me incentivou a praticar algum esporte para perder peso e melhorar a minha capacidade física. Fui para a natação no Sesc. Naquele período já estava trabalhando e reconquistando a minha vida aos poucos.

Após as reuniões, sempre ia até o Museu do Ipiranga refletir sobre a vida e ficava observando as pessoas correndo. Um dia, calcei os tênis e engatei uma caminhada mais rápida, mas passei mal, a visão escureceu, pensei que ia desmaiar. Conheci o Carlão, um corredor com experiência que me incentivou a correr na esteira para pegar resistência, e então, comecei aumentando a distância. 

Fui para a rua quando o Carlão me convidou para participar de uma prova, no começo, pensei que fosse brincadeira dele, mas fui na Volta da Penha e fiz os 10 km em 58 min. Quando terminei, senti o maior prazer de liberdade da minha vida, uma sensação tão boa, um prazer que, antes, só as drogas me davam. Vi que seria este o caminho para me dar adrenalina, paz, baixar minha ansiedade e resgatar a minha dignidade. Fui reconquistando tudo que o tinha perdido, o trabalho, a família, me reaproximei do meu filho com quem há muito tempo não me comunicava, dai por diante. 

Em 2004, minha irmã me apresentou uma amiga a advogada, Márcia Cirilo que acabava de sair de um casamento. Um ano depois estávamos casados. Logo depois ela engravidou e comecei a ficar mal porque eu estava em plena atividade física e ela não podia me acompanhar devido à gravidez. Dei um tempo, mas voltei a engordar. 

Depois que nosso filho nasceu e passou da fase de recém-nascido, voltei a
correr e ela também, pois é aficionada por corridas. Procuramos uma assessoria esportiva para desta vez correr pra valer e com o objetivo de completar a maratona de São Paulo de 2011, no entanto, tive uma lesão na panturrilha e parei no km 25.

Aos 48 anos, totalmente recuperado das drogas, com a família unida e os filhos por perto (e também correndo), tenho 70 corridas. Meu objetivo para 2014 é completar a maratona de São Paulo que em 2011 tive que desistir no km 25. A Márcia correu a São Silvestre e tem como sonho o Desafio ao Pateta na Disney".

"Hoje vivo para correr e corro para viver".