sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Maratona de 17 kms


Como de costume, quando participo de alguma prova longe da capital paulista, sempre reservo algum hotel ou pousada na companhia de minha mulher, de preferência o mais próximo possível da largada para facilitar a logística da corrida.

Quando fui correr a Maratona das Praias em Bertioga no mês de julho, pouco antes da largada lá estava eu tomando meu café da manhã na pousada, quando o Seu Zé, o faz tudo do local e que também prepara a mesa e o café da manhã, logo pergunta: "você vai correr esta maratona com este frio?" Eu, como um corredor orgulhoso, já respondo de imediato: "vou sim, com este frio e na areia da praia, não vai ser fácil".

O Seu Zé balança a cabeça dá uma risadinha e solta logo: "esta corrida não vale nada, é só pra louco mesmo". E aí eu: "poxa, mas, são 42 km, não é pouca coisa não!". E um outro rapaz que estava tomando o seu café com leite grita lá do fundo: "conta a sua história, Zé!"

Fiquei curioso e pedi para contar a sua aventura. Ele deixou a bandeja de frios sobre a mesa e começou: "quando morava na Bahia, com uns 18 anos, teve uma maratona de 17 km e valia uma moto zerinho. Fiquei louco pela moto. Me inscrevi e treinei um mês todinho. Quando largou, saí no pau e nem olhei para trás, mas sabia que estava em primeiro. O pessoal na rua ficava gritando vai, vai! Quando faltava uns 500 metros, já tava até vesgo de tanto correr e sem fôlego nenhum, dois caras me passaram com tudo, e acabei ficando em terceiro, não tinha nem medalha nem troféu, só a moto mesmo, que ficou só no meu sonho".

Eu fiquei entusiasmado com o relato imaginando que, depois disso, ele teria pegado gosto pelo pedestrianismo. O indaguei, mas ele respondeu que, depois disso, nunca mais correu.

O Seu Zé pegou a bandeja, colocou no lugar certo e foi em direção à cozinha pegar o leite quente. Terminei meu café da manhã e fui correr a minha maratona pensando nesta história.