segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Colação de Grau.

Às 10h de um sábado nublado, toca a corneta e eu, na linha de largada, dou o start no cronômetro para desafiar os 50 km na pista de atletismo do clube Espéria, na Ultramaratona Dizzy Endurance, sendo que os da categoria de 100 km já estavam correndo há duas horas.

Me considero ainda um corredor jovem no mundo das corridas, estou nessa há dois anos e meio, e já me desafiei pra caramba. E percebi que o que eu gosto mesmo são de provas longas ou de montanha, onde me sinto mais vivo e, quando termino, percebo que corri mesmo porque dói até o cabelo.

Bom, voltando para a ultramaratona, ainda no caminho para a prova, estava com um frio na barriga incontrolável quando entrei no clube e avistei os atletas dos 100 km dando voltas e mais voltas. Já estava me imaginando ali tentando quebrar minha distância que, até então, era de maratonista. Esta seria a minha colação de grau na corrida de longa distância e, chega de enrolação, vamos para a corrida. 

Estudei um ritmo conservador entre 4:40 e 5:30 para manter até o fim e garantir um bom tempo final mas, no km 5, sinto uma paulada na panturrilha esquerda que me fez mancar 45 km. Foi uma dor tão forte que quase não consegui dobrar a perna para concluir a passada. Começo a andar até o posto de apoio e passei gelo no local dolorido, alonguei, fiz o possível, mas a dor não melhorava. Decidi correr assim  mesmo. Esta lesão me acompanhou a semana anterior inteira, porque, no lugar de descansar corri os 10k da Série Delta no Ipiranga. Tenho certeza de que veio de lá mas, tudo bem, vivendo e aprendendo.

Na primeira hora de corrida estava em 15º, e minha meta era terminar entre os dez. A prova foi muito
bem organizada com duas tendas de hidratação e comida, com desclassificação do atleta caso jogasse lixo na pista. A cada duas horas se invertia o sentido da pista de 375 metros e a cada volta dava para visualizar o monitor na cronometragem, com o número de voltas e a distância percorrida. Quando passei pela tela e vi que já havia passado dos 43 km, me senti de fato ultramaratonista, ou seja, ultramaratonistas são aqueles atletas que transpassam a barreira dos 42,195 metros da maratona.

E, resumindo, senti enjoo, pensei que iria vomitar, dor na perna e tudo o mais, e sem contar que após correr 5h27, ainda tinha de dar um sprint para entrar no trabalho às 17h. É mole?

Esta ultra foi muito especial, consegui terminar em 9° no geral e, para minha surpresa, PRIMEIRO na minha categoria, quer melhor que isso? Pensei que nem terminaria e consigo um resultado desse, agora que não paro mesmo!