sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Taca Pimenta!

Talvez poucas pessoas tenham reparado em um ciclista socorrendo maratonistas que passaram mal devido ao calor excessivo durante a 20ª
Maratona de São Paulo, realizada em outubro passado. Era o famoso Pimenta, ou melhor, Luis Antonio Pimenta Lima e, como ele mesmo se intitula, "médico, avô e pretenso atleta amador". Leia a seguir o seu relato:

Em dezembro de 2013 corri a São Silvestre e transformei em realidade um projeto que vinha sendo adiado desde os meus 30 anos. Foi uma sequência de prorrogações: 30, 35, 40, 45, até que em 2013, ao completar 50 anos, tomei a decisão: será esse ano. Pensei em me preparar, mas a atribulação da carreira de médico pediatra insistia em me atrapalhar. Na verdade, era eu que me atrapalhava.


No decorrer de 2013, corri algumas provas de até 7 km e, depois que vi os meus tempos baixarem, já pensei que era um superatleta congênito. 
Em dezembro do mesmo ano, concluí a inscrição para a São Silvestre, cheio de vontade de realizar o meu projeto pessoal que há muito adiei.

Nos 15 km da São Silvestre, o sofrimento e a decepção de não ter treinado mais quase me fizeram desistir. Mas a vontade de vencer foi maior e tinha que concluir a minha tão sonhada corrida. Mesmo me arrastando na subida da Brigadeiro (avenida Brigadeiro Luís Antônio), arranjei forças e, quando virei na avenida Paulista, disparei num sprint alucinante de um gordinho de 93kg para os meus 1,70m para cruzar a linha de chegada. Em resumo, ganhei.

No ano seguinte comecei a treinar com assessoria esportiva, foram uns tantos perrengues e muitas dores musculares, bolhas, unhas roxas. Mas teve dois destaques que superaram tudo: a Bravus Race que participei, uma prova de 5Km com 15 obstáculos que me deixou feliz por estar acompanhado de cinco amigos da assessoria esportiva da qual participo. Terminei repleto de lama que justificou os meus esforços e

ressuscitou não só o atleta, mas o menino que estava há tanto adormecido.

Logo depois, eu praticamente voei nos 15km da corrida Sargento Gonzaguinha,

que serviu de parâmetro para saber se estava preparado para o meu próximo desafio. 

Te encontro na 90ª corrida de São Silvestre.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

E no caminho tinha uma montanha, tinha uma montanha no meu caminho.

Às 6h da manhã do dia 29 de novembro, o despertador interrompe o som dos grilos de São Bento do Sapucaí, município do Vale do Paraíba muito próxima a Campos do Jordão. E eu, pelos meus cálculos, havia dormido apenas 40 minutos de uma noite silenciosa no chalé onde me hospedei no centro da cidade.

Após um café com vista para a montanha da velha conhecida Pedra do Baú que me esperava, então me dirigi até o evento denominado Endurance, para os 50 km de prova na montanha organizada pela empresa Corridas de Montanha.

Pouco antes da largada, o diretor da prova alerta: "cuidado corredores, devido às chuvas desta semana, o percurso está muito técnico".

Olho ao redor e percebo que não abalou em nada os demais atletas, pensei comigo: "vou tomar cuidado e só, vou fazer o que treinei."

E toca a corneta! Saio em uma passada tímida, não queria queimar logo no começo pois sabia que a primeira subida de uns 8km é praticamente uma parede e lá ninguém ousa correr, é colocar as mãos na coxa e ditar o ritmo.

Há apenas 20 dias, mais precisamente no dia 8 de novembro, já havia corrido 50 km de pista, e lá estava eu novamente encarando a mesma distância, só que desta vez com a elevação de 2.428m.

Bom, km vai, km vem, sobe, desce e entra na parte mais temida, um longo trecho dentro da mata fechada e com uma trilha estreita e, para falar a verdade, acho que tinha uns 90 graus de inclinação, tá louco! Não parava nunca de subir. Tive de dar uma parada rápida porque comecei a sentir tontura devido ao ar rarefeito.

Depois de algum tempo, estava praticamente sozinho, somente me orientando pelas cordinhas de marcação do percurso estrategicamente colocadas pela organização. Tomo um susto com um barulho vindo da copa das árvores, já imaginei uma cobra, onça, sabe como é caipira da cidade grande que não manja nada de natureza. Mas, em vez de feras ou serpentes, logo à frente vejo um tucano, imagina só o presente que ganhei neste momento, ele me acompanhou mais alguns metros e se foi pelo imensidão da floresta.

No pico desta montanha havia uma pedra muito grande, tipo de um mirante. Estava 
tão alto que via um riozinho e um vilarejo lá longe, o staff que estava lá para nos apoiar disse que aquele local já era Minas Gerais e que passamos por lá, muito legal, não?

Vou resumir a minha aventura. Depois de muito tempo de corrida, uma corredora me alcança e, entre trote e caminhada rápida, conversamos sobre outras provas que já fizemos e que ainda estão por vir, foi muito bom porque ditou um ritmo um ao outro. Parei no km acho que 42 para reabastecer e tomar um isotônico gelado (como é bom quando você já está esgotado!) e a corredora, de quem não me recordo o nome, continuou.
Já recuperado, volto a correr e ainda consigo passar por três participantes numa descida acidentada muito complicada, imagine se machucar a dois quilômetros da chegada! Até que piso na estrada de paralelepípedo em direção a minha vitória pessoal, na Galeria de Arte do Quilombo.

No caminho foi muito legal os moradores nos portões parabenizando a todos, e também os corredores que participariam dos 9 e 12 km com largada às 16h estacionando os carros e torcendo por nós. Pronto, depois de 7h26, lá estava eu, exausto, recebendo a minha preciosa medalha e a camiseta de finisher e, acredite, ainda fiquei em 35º lugar no geral, e lembra da corredora? Subiu no pódio em 3º lugar.


Quer sair do asfalto e curtir uma corrida na montanha? Acesse: corridasdemontanha.com.br e divirta-se.